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(A falta que faz) aquele abraço

Saiba por que hoje se comemora o Dia do Abraço, seus benefícios à saúde e opções criativas para abraçar sem risco

Por 2min
22 de Maio de 2020

abraçoHoje se comemora o Dia do Abraço. Por conta da pandemia, será uma comemoração sem abraços. Mas vale a pena conhecer a história dessa data, os benefícios de um abraço à saúde e as soluções criativas encontradas para abraçar sem riscos neste momento.

Free hugs: um gesto se torna um movimento

Em 2004, um australiano conhecido pelo pseudônimo de Juan Mann morava em Londres. Perdeu tudo o que tinha por lá, passou por maus bocados, comeu o pão que o diabo amassou. Resolveu voltar para Sydney. E, lá chegando, viu-se sozinho, sem amigos, sem família. No aeroporto, reparou as recepções que eram feitas a viajantes – mas nada daquilo era pra ele.

Conseguiu uma cartolina e escreveu com pilot dos dois lados: “Free hugs” (“Abraços grátis”). Escolheu a esquina mais movimentada da cidade e foi solenemente ignorado por 15 minutos. Então sentiu um tapinha no ombro. “Era uma mulher que disse que seu cachorro tinha morrido naquela manhã, e que naquele mesmo dia completava um ano da morte de sua filha, num acidente de carro”, contou numa entrevista. Quando ela foi embora, depois do abraço, estava sorrindo.

Por incrível que pareça, a ação de Juan acabou sendo proibida. O Conselho Municipal entendeu que, se alguém se machucasse durante um abraço (!!!), a prefeitura poderia ser processada. A questão só foi revertida após uma petição pública com mais de 10 mil assinaturas, que permitiu novamente a distribuição gratuita de abraços.

Em setembro de 2004, Mann abraçou Shimon Moore, da banda Sick Puppies. Em sua homenagem, fez a música “All the same” e filmou a ação solitária dos abraços nas ruas de Sydney. Fez um sucesso estrondoso, e o mundo inteiro conheceu o “Free Hugs”, que se tornou um movimento. E foi criado o Dia do Abraço, comemorado hoje.

A ciência e o abraço

Neste Dia do Abraço tão singular, psicólogos têm comparado a rotina em quarentena a um estresse pós-traumático. E, pior: para quem está sozinho, sem direito a abraços pra diminuir essa dor.

– A grande dificuldade é saber que estamos vivendo uma experiência que é social e indivuldual ao mesmo tempo, e tem essa característica de fixação ao trauma e repetição – diz Fernando Nóbrega, psicoterapeuta corporal. – Temos visto muitas vidas sendo interrompidas e lutos não vividos, pessoas perdendo emprego, sonhos acabando, negócios sendo perdidos. Mesmo se não houve perda, existe a ameaça constante, e isso é traumático.

De acordo com a ciência, abraçar alguém ajuda a reduzir o estresse, o medo e a ansiedade, além de ser capaz de abaixar a pressão, promover bem-estar e até melhorar a memória. Tudo por causa da liberação de oxitocina. Um estudo da Universidade de Viena garante que todos esses benefícios só acontecem quando você abraça alguém com quem tem intimidade. Lamentavelmente, abraçar estranhos, como Juan Mann, pode estressar, ressalva o estudo.

Outra pesquisa, esta americana, sugere que casais que se abraçam com frequência têm menos problemas cardíacos que os que não fazem disso um hábito frequente. O efeito é especialmente visível entre as mulheres.

A tecnologia e a criatividade a favor do abraço

Como se sabe, nesta pandemia o ideal é não ir para a rua; se tiver que fazer isso, não abrace ninguém que encontrar por lá. Mas soluções com a ajuda da criatividade e da tecnologia já foram encontradas, claro.

1 – Essa é de agora: no Canadá, uma família decidiu abraçar a matriarca por conta do Dia das Mães. Para fazer isso com segurança, criaram uma espécie de luva gigante, em plástico, para que ninguém encostasse de verdade na senhora. O plástico foi colocado num varal. A velhinha se posicionou de um lado da linha, e a família, do outro. Só vendo pra entender direitinho.

2 – Em 2018, quando ainda não se sonhava com essa quarentena, a Disney desenvolveu, em parceria com o MIT, uma jaqueta que simula a sensação de um abraço. Deve ser usada com um óculos de realidade virtual. Ano passado, uma universidade americana fez um projeto semelhante.

3 – E que tal tentar o autoabraço? É o que têm feito os funcionários de uma rede de padarias em Sorocaba, no interior de São Paulo. Não custa tentar.

4 – Se a saudade apertar, abrace esta almofada.

5 – Não pode abraçar? Mande uma camiseta (versão masculina / versão feminina).