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Barba x vírus: tire suas dúvidas

Ficar alerta, sim, mas não precisa raspar: veja como cuidar dela diante da Covid-19

Por 2min
2 de abril de 2020 Atualizado em 24/04/2020 às 10:03

Em tempos de coronavírus, é bom deixar a barba de molho. Ficar alerta, porém, não significa se deixar levar por notícias alarmistas. Afinal, tirar a barba só é necessário para quem estiver na linha de frente da guerra à pandemia, segundo especialistas.

Nos últimos dias, circulou de forma viral – pra usar o termo apropriado – a notícia de que o CDC, US Centres for Disease Control and Prevention (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), estaria recomendando o fim das barbas. Mas o próprio órgão já negou tal determinação à população “civil”.

– Se você é um médico da linha de frente, que precisa usar a máscara cirúrgica, melhor não ter barba, e isso não é de agora, por causa do vírus. Os departamentos de controle de infecção hospitalar dos hospitais sempre orientaram que quem trata com infecção não deveria ter barba grande. Ralinha, bem feita, não tem problema nenhum – diz o médico Jan Willem Sprey. – Isso vale também para uso de aliança, relógio, colar, brinco, cabelo preso, pra que você não tenha o risco de sair contaminando. Até em relação à gravata numa enfermaria existe um questionamento. O ideal é ter zero adorno. – explica.

 

 

Como se sabe, o uso de máscaras cirúrgicas é recomendado, neste momento, justamente para quem está na batalha diretamente, em hospitais.

O engenheiro Daniel Barra, personagem das fotos que ilustra este post, mantém uma senhora barba, e defende a sua durante a pandemia:

– A barba te deixa mais bonito, mas não te protege. Mas também não atrapalha. O que atrapalha é a falta de higiene. E os cuidados com higiene devem aumentar, assim para quem não tem barba. Tem que lavar a barba com frequência – diz. Ele mesmo tem lavado a sua dia sim, dia não, e quando faz exercícios físicos. E já postou sobre o tema em seu canal no Youtube.

Se você está na linha de frente e precisa usar a máscara cirúrgica, melhor não ter barba, mas isso não é de agora

Alê Barba Ruiva, outro barbudo amigo da Reserva, conta que, como manda a Organização Mundial da Saúde (OMS), não tem saído à rua. Em 16 dias de quarentena, experimentou duas vezes o ar da rua, apenas para ir ao mercado.

– Quando voltei, higienizei. Fui direto pro banho – conta o ruivo. – Já me informei com enfermeiros que estão na linha de frente e com barbeiros também. Você não vai pegar se o vírus simplesmente estiver na sua barba, apenas se você levá-lo até alguma mucosa – completa, indicando um balm ou um gel para a higienização frequente, caso não seja possível lavar no momento.

– É um vírus respiratório, não é a peste negra. Não é transmitido pela pulga. Se não até faria sentido tirar a barba – diz o doutor Sprey.

Portanto, valem – para barbudos ou não – as dicas da OMS: evitar ambientes fechados e populosos; lavar as mãos corretamente e com frequência; utilizar álcool em gel sempre que tocar objetos de uso público; não compartilhar objetos de uso pessoal; cobrir a boca com o antebraço ao tossir.

Consultamos também a engenheira química Maria Julia Sartor, mestra em Ciência e Engenharia de Materiais. Ela desenvolve os produtos da linha Vaibe, da Reserva. A propósito: o site está com uma série de ofertas de produtos de higiene e beleza.

– Os cuidados são os mesmos que precisamos ter com as mãos e os rostos: manter tudo sempre limpo. Claro que não é pra passar álcool em gel, porque vai ressecar a pele. Então o que a gente indica é lavar com frequência com shampoo de barba ou até de cabelo, que contêm os tensoativos. Eles vão fazer o papel de detergente, retirando a sujeira e as impurezas, fazendo a degradação do vírus – explica. – Se tiver algum produto como óleo essencial, que tem função antisséptica, pode usar também – finaliza.