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Em busca da equidade

Indicadores atestam que liderança feminina é benéfica para empresas, mas desequilíbrio ainda é gritante

Por 2min
8 de março de 2020 Atualizado em 17/03/2020 às 16:37

Elas são mais preparadas (estudaram por mais tempo), mas o salário é menor que o deles. No entanto, empresas lideradas por mulheres são em geral mais lucrativas. Tomam menos empréstimos, mas pagam taxas de juros mais altas, apesar de serem mais adimplentes. Esses indicadores comprovam que ainda estamos longe da igualdade. É o que dizem os estudos mais recentes sobre empreendedorismo feminino, no Brasil e no mundo. e relações de trabalho. Segundo o Fórum Econômico Mundial de 2017, serão necessários 217 anos para que se atinja igualdade de participação no mercado de trabalho, salário e presença em cargos de liderança.

– Quando a gente fala do Brasil, a gente tem uma população hoje de 51,7% de mulheres, e a outra metade, a gente sabe, nasceu de uma mulher. Então quando a gente começa a olhar para dentro das empresas, é muito importante que a gente também enxergue essa representatividade tanto na massa como na mesa de decisões – diz a consultora Elisa Tawil, que cursou Liderança Avançada para Mulheres pela Shakti Fellowship e em 2019 foi escolhida “top voice” do LinkedIn. – É aí que entram o trabalho de ações afirmativas, cotas, movimentos femininos, ações de conscientização – a gente tem visto muitas empresas trabalhando com comitês femininos – e a promoção da mulher, de sair dessa média gestão, para atingir cargos de direção.

Segundo Elisa, a equidade de gênero dentro das empresas “equilibra a energia”. Não é papo esotérico:

– As empresas que têm mais mulheres entre os cargos de alta liderança, de acordo com relatório da McKinsey [empresa líder mundial de consultoria empresarial], trazem até 50% mais de lucratividade e 22% mais da sua margem líquida de resultados. O lucro é essencial, mas tem outros aspectos trazidos pela presença feminina que são fundamentais. São empresas que têm o olhar do cuidado, do futuro – sintetiza Elisa.

De acordo com a última pesquisa Panorama Mulher, realizada pelo Insper em parceria com a Talenses, mulheres ocupam 19% dos cargos de liderança no universo empresarial brasileiro, em média. A amostra abrangeu 532 empresas, das quais apenas 13% têm uma mulher como CEO. Na Reserva, 79 dos 177 gestores (45% do total) são mulheres, entre 1625 funcionários (dos quais 47% são mulheres). Por aqui, Sabemos que é só o início, mas caminharemos juntos para uma evolução na equidade.

Flávia Gamonar – empreendedora que também é “top voice” da rede LinkedIn – diz que enfrentou preconceitos, como funcionária, por ser mulher, e que ainda hoje muitas mulheres se surpreendem por sua atuação como empresária.

– Já sofri julgamentos por ser mulher. E normalmente nós temos muita capacidade e energia, mas ainda somos tímidas ao empreender – diz. – Uma pesquisa do Sebrae trouxe dados muito interessantes sobre o cenário do empreendedorismo feminino no Brasil. São 24 milhões de mulheres empreendedoras (homens são 28 milhões), mas a pesquisa coloca como empreendedor o indivíduo que tem um negócio formal ou informal ou que realizaram alguma ação nos últimos 12 meses visando ter o próprio negócio, formal ou informal. O cenário até que não é tão discrepante entre homens e mulheres, mas quando se fala sobre se tornarem donos de um negócio mesmo, estando à frente deles, de cada 10 mulheres apenas 3,9 conseguem avançar. Ou seja, muitas não conseguem ir adiante, e aí o cenário muda: das 24 milhões, apenas 9,3 milhões avançam, enquanto em cada 10 homens, 6,5 viram donos de negócios (18 milhões).

Ainda segundo o Sebrae, as empreendedoras brasileiras têm escolaridade 16% superior aos homens, mas ganham 22% a menos do que os empresários. E têm uma dificuldade maior de reinserção no mercado, quando se ausentam.

As dificuldades estão relacionadas à idade e também à maternidade. Em muitos anúncios de vagas, empresários questionam o querer ter filhos em caso de necessidade de contratação do sexo feminino. Homens são promovidos por potencial, mulheres são promovidas por desempenho comprovado. As mulheres promovidas têm classificações de desempenho mais altas do que os homens promovidos, e as classificações de desempenho estão mais relacionadas às promoções para mulheres do que para homens – afirma Flávia Gamonar.