Atualidades

Ensino à distância, porém humano

Para especialistas, quarentena antecipou o futuro do ensino, mas a figura do professor continua insubstituível

Por 2min
21 de Maio de 2020

Antes da quarentena, mais de 1,5 milhão de brasileiros estudavam à distância. O número correspondia a quase 1/5 de matrículas. Em menos de 15 anos, um salto de 25 vezes. Seja pela preço, normalmente mais baixo, ou pela praticidade, o EAD tinha se instalado de vez. E se já era tendência antes, o que dizer depois do Covid-19?

A TV Reserva reuniu o pedagogo Doug Alvoroçado e Tiago Neves, do VOA Educação, para falar sobre a nova realidade – e os novos desafios – do ensino à distância. Da dificuldade de ajudar os filhos num estudo específico à divisão do computador numa casa, ou ainda uma conexão ruim, tudo foi tema.

– As famílias estão passando um por grande desafio, são muito momentos estressantes, entediantes, dificeis e complicado porém podem ser momentos riquíssimos de mostrar pra essa família como lidamos com momento difíceis como criamos resiliência para vida – avalia Tiago, do VOA, ferramenta que tem como objetivo melhorar a experiência das aulas à distância.

Doug Alvororçado lembra, porém, que tem sido difícil até mesmo para alguns profissionais.

 

da horta para a mesa

 

– Essa mudança vai durar, e a maioria dos professores estão procurando se reinventar, mas isso não é nada fácil, o sentimento é daquele frio na barriga. Uns têm mais coragem e encaram, outros deixam o friozinho dominar e ficam com mais medo – conta. – Muitos me dizem que não foram preparados para lidar com essa situação de pandemia e com aula remota. Eu concordo, mas também penso que os médicos e enfermeiros, que estão na linha de frente, também não tiveram na sua formação uma formação para coronavírus.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Ayrton Senna, alunos concentrados em aprender competências sócio-emocionais terão 1/3 a mais de facilidade de aprender Matemática.

– A habilidade de novos conhecimentos, abertura ao novo, é também uma habilidade que influencia no aprendizado de Português. A importância das competências sócio-emocionais está diretamente ligada à construção das outras matérias e construção de como a pessoa vai lidar com a vida, o mundo, principalmente nesse momento – avalia Tiago.

Inevitável pensar no futuro das escolas. Para Doug, vem aí um formato mais disruptivo, em que o aluno só comparece quando se sente impelido a ir.

– Na escola tem o conteúdo, e em casa dá continuidade a isso. Então eu vou na segunda porque tem uma aula muito legal, mas na terça eu vou estudar de casa. Eu acho que num futuro a escola vai ser mais semipresencial, e não estou falando de EAD, estou falando do ensino remoto – explica.

Porém, na avaliação de Doug, nada vai tirar a importância do professor. Afinal, o ensino pode ser à distância, mas não deixará de ser humano.