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IBGE: pobreza extrema não recua

13,6 milhões de brasileiros vivem com menos de US$ 1,90 por dia, e 51,7 milhões, com menos de US$ 5,50

Por 2min
13 de novembro de 2020

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem (12) um retrato sobre a pobreza no país. Os números são de 2019 – portanto, antes da devastação causada pelo Covid-19 –, e apontam que não houve redução no problema em relação a 2018 na faixa dos que vivem com menos dinheiro.

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais, em 2018 a proporção de brasileiros em situação de extrema pobreza era de 6,5%, mesma taxa verificada em 2019. Em números absolutos, o Brasil tinha 13,6 milhões de pessoas nesta faixa no ano passado – 100 mil a mais do que no ano anterior, devido ao crescimento populacional. Quando comparado a 2014 – quando o Brasil atingiu seus melhores índices –, o aumento foi de 4,7 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza. São considerados extremamente pobres pelo IBGE os que vivem com menos de US$ 1,90 por dia (R$ 151 mensais, nos valores de 2019).

No estágio imediatamente acima – os considerados pobres –, o número relativo caiu de 25,3% para 24,7% (51,7 milhões de brasileiros), 800 mil a menos que em 2019. O IBGE considera pobres os que vivem com menos de US$ 5,50 (ou R$ 436 por mês, naquele ano). Portanto, um em cada quatro brasileiros são pobres.

A situação é mais precária se o corte demográfico for relativo a pretos e pardos, especialmente mulheres, sem instrução e desempregados. De acordo com o IBGE, brancos ganham em média 69,3% mais do que pretos e pardos pela hora trabalhada. Mais da metade (58,6%) das pessoas na pobreza extrema vivem no Nordeste. No Maranhão, estado mais pobre, 20% da população é miserável. Segundo o Índice de Gini, que compara a desigualdade entre os países, o Brasil é o nono país mais desigual do mundo.

Os números de IBGE reforçam os da FAO (Food and Agriculture Agency, agência da ONU ligada à erradicação da fome e ao combate à pobreza) divulgados em julho deste ano, também relativos a 2019. Segundo a agência, 41,3 milhões de brasileiros viviam em situação de insegurança alimentar no ano passado, ou 20,6% da população. O mesmo relatório prevê que, por conta da pandemia, o mundo terá 130 milhões a mais de famintos.

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