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Muito além do selo B

Francine Lemos, do Sistema B: "certificação não capta sutilezas como a cultura da marca, que se vê na Reserva"

Por 2min
12 de março de 2020

Através de uma live via Instagram, a Reserva e o Sistema B anunciaram ontem, oficialmente, a entrada da marca para o movimento. O selo B reconhece negócios que colocam o interesse nas pessoas e no planeta acima do lucro. Em todo o mundo, são 3 mil empresas certificadas, das quais 165 no Brasil. Aqui, a Reserva é a maior do segmento de moda.

– A gente tem sentido uma urgência nesse universo da moda. É a segunda indústria mais poluente do mundo. E a gente tem o problema desde a matéria-prima, do uso intensivo de água. Quando você faz um tecido, tem o uso de químicos. E no próprio modelo de negócio, que estimula o consumo. Depois ainda tem o pós-consumo, porque ele gera muito resíduo. E a questão mais grave da cadeia da moda é o trabalho escravo, vemos muitos escândalos sobre isso. É uma questão muito urgente e necessária – disse Francine Lemos, diretora-executiva do Sistema B no Brasil, em entrevista ao 2min logo após a transmissão.

Pedro Telles, diretor de Comunidades e Expansão do Sistema B, também presente, lembrou que o movimento já está em 11 estados da federação, e que a mera passagem das empresas pelo processo de certificação já é interessante – atualmente, 5.800 empresas brasileiras estão em busca da certificação, e 80 mil em todo o mundo. As já certificadas no Brasil têm um faturamento anual de R$ 15 bilhões por ano.

– O objetivo é que as empresas meçam seu impacto. Só esse chamado para preencher o formulário já faz com que elas entendam o que estão causando e como podem melhorar – disse.

Para conseguir o selo, a Reserva preencheu um formulário de 200 questões e atingiu a pontuação de 80,3. Francine lembrou que, quanto maior a empresa, mais difícil costuma ser a certificação:

 

A pontuação mostra que ainda tem um caminho de oportunidades de melhora, e o movimento B é uma jornada. A cada renovação de selo, de três em três anos, vejo empresas querendo melhorar suas práticas

A diretora-executiva do Sistema B destacou os principais tópicos em que a Reserva pontuou:

– Tem duas coisas em seu modelo de negócio muito relevantes: o fato de usar fornecedores brasileiros e o fato de usar algodão orgânico para a produção. Além disso, o cuidado com o público interno fez muita diferença – afirmou. – A gente vê hoje o pacto global, e olhando para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a questão de gênero é uma questão prioritária. E a Reserva tem uma força de trabalho feminina na liderança muito relevante, e sem diferenciação de salário. Isso faz diferença.

Segundo Francine, a média entre as empresas brasileiras é de 19% de mulheres em cargos de direção; entre as empresas B, o número médio vai a 34%. No caso da Reserva, 45% dos gestores são mulheres. O sistema B também considerou significativa a licença-paternidade de 45 dias. Pelo caráter extremamente técnico da avaliação, muitas coisas o formulário não capta, como Francine observou:

– Tem algumas sutilezas que o processo não pega, e que eu acho legal. A gente sente a cultura de uma empresa quando você chega. E quando você circula por aqui você sente uma energia diferente – disse Francine. – Pedi para dar uma volta quando cheguei aqui e vi um nível de engajamento do funcionário – que veste a camisa da Reserva, literalmente – que é muito bacana de ver, as pessoas têm orgulho de trabalhar aqui, e selo nenhum pega isso.

Como se diz por aqui, o que importa está dentro.

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Rony Meisler, CEO da Reserva, com Francine Lemos, do Sistema B, Nandão Sigal e Jayme Nigri, sócios da marca, durante a live transmitida via Instagram