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Neutralidade é omissão

Especialista defende que, num mundo mais empático e consciente, marcas precisam se posicionar

Por 2min
2 de julho de 2020 Atualizado em 03/07/2020 às 13:47

A pandemia de Covid-19 nos leva a um mundo mais empático e consciente, na avaliação de Gabriel Milanez, vice-presidente de Estratégia da Box1824, agência de pesquisa de tendências de consumo. Ele participou de uma transmissão da TV Reserva ao lado de Juliana Perez, coordenadora de Mídias Sociais da Reserva. E, neste novo mundo, as marcas também precisam se posicionar.

– Ficando mais em casa, as pessoas começaram a perceber o quanto de lixo nós geramos, começaram a abrir armários, perceber os alimentos vencidos, coisas que não usam, e numa crise de recursos de escassez, você se sente mal em fazer isso – avaliou Gabriel. – Essas práticas cotidianas abrem muito a cabeça das pessoas, criam consciência de impacto, e a  partir disso, as marcas começam a trabalhar com sustentabilidade, e isso significa abrir seu rótulo, sua etiqueta, dizer como foi produzido, por quem foi produzido, quais são suas políticas com a cadeia, com o meio ambiente, com a comunidade, como você está incluindo dentro da sua empresa populações que até hoje não tiveram acesso ao trabalho, não tiveram suas oportunidades de trabalho. Tudo isso é um consumo mais consciente.

Com o aumento das desigualdades causado pela pandemia – além das perdas humanas geradas por ela –, as pessoas ficam mais empáticas, e esperam o mesmo das marcas que consomem.

– Com isso, aumenta a consciência coletiva de ajuda ao próximo. As pessoas querem fazer sua parte para ajudar, e com isso elas começam a cobrar das empresas também, elas querem consumir de empresas que se preocupem com seus colaboradores, com a saúde física, com a manutenção de empregos, com a sociedade como um todo – analisou Gabriel.

 

da horta para a mesa

 

Assim, o próprio valor das empresas é ressignificado, para o estrategista da Box1824. A medição da atuação positiva num momento de crise gera um novo status. Mas, atenção: discursos separados de práticas não serão tolerados pelo consumidor.

– O consumidor vai priorizar os players com valores que quer ver no mundo, as empresas precisam se posicionar, precisam mostrar seus valores, transformá-los em ações no mundo, e isso é ter relações de trabalho saudáveis, respeitar sua cadeia, o meio ambiente, a cidade, começa por aí – disse.

Para Juliana Perez, empresas que embarcarem em projetos sociais ou causas de forma oportunista serão punidas pelo próprio consumidor, cada vez mais conectado.

– Neste momento da sociedade, se posicionar é preciso, é a chamada “influência de responsabilidade”, você influenciar positivamente seus consumidores, seu público, e também dialogar com os acontecimentos que estão rolando no mundo – disse Juliana, para quem o posicionamento das marcas já não é algo opcional, e ele deve acontecer de forma orgânica, e não oportunista.

Gabriel afirmou que a pandemia serviu também para eliminar a neutralidade, agora vista como omissão.

– Nesse mundo de hipertransparência, tudo é levado em conta, porque tudo na vida da pessoa gira em volta disso. Elas estão brigando com amigos, com família, desfazendo amizade. Então por que vai ser diferente com uma empresa? Você também tem que se posicionar, o argumento pras empresas é exatamente esse, se você não se posiciona, você não cria valor – disse. – Os seus valores moldam suas ações, e é esperado que as empresas tomem parte e ajudem a resolver grandes problemas da humanidade, então todos nós precisamos atuar.