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O amor nos tempos do corona

Conectados, casais falam sobre como tem sido a experiência da quarentena para o relacionamento

Por 2min
21 de Maio de 2020

 

O amor nos tempos do coronavírus ainda vai render muita história. E já começamos a falar do tema, com nossa live Conectados, abrindo os trabalhos para o Dia dos Namorados. Participaram os atores Rafael Infante e Tatiana Novais, conversando com a psicóloga Carolina Cancela Guerra (irmã do Rafa) e o pianista Antônio Guerra, seu partner.

– Depois de tantos anos juntos, nunca imaginamos passar por essa situação de quarentena – disse Rafael, que está casado há quase nove anos. Ele e Tati têm uma filha, Lara, de quatro anos.

Dos quatro, Antônio é quem mais tem tirado proveito da situação. Como músico, viaja muito a trabalho, e tem encontrado uma sensação reconfortante:

– Já cheguei a ficar seis meses em outros países. Estar em casa com minha família, tocando, em um ambiente silencioso, está sendo muito gostoso. Tempo calmo que sinto falta quando estou viajando até para o ócio criativo e tudo mais – contou.

Tatiana confessou que a quarentena a tem feito oscilar bastante.

– Tem momentos em que eu tenho certeza que tudo isso é por um motivo maior, que vai fazer nos conectarmos com nós mesmos. Mas em outros, fico sem esperança. E uma coisa não exclui a outra, né? O autoconhecimento e autocontrole, e por outro lado, o desespero de querer controlar minimamente alguma coisa. Nunca controlamos nada, mas agora vemos a certeza disso – disse.

Mesmo no relacionamento, ela afirmou que tem havido momentos de descoberta, apesar de tantos anos juntos:

– Eu não sabia como era o eu trancafiada. Ele também não. É tudo descoberta.
Temos medos por nós, medos pelas pessoas que estão passando necessidades de comer, por exemplo – disse, lembrando que as lives têm um caráter beneficente, com as doações diretas ao Banco de Alimentos, parceiro do programa 1P5P.

Rafael concordou com o momento de descobertas – e não apenas em dupla.

– Tem cada um lidando consigo mesmo. Com nossas loucuras, nossos íntimos. E percebo como muitas vezes acabamos projetando no outro o que nós somos. Viramos espelho mesmo da pessoa que convivemos. Fazemos quase que uma projeção do nosso eu no outro – avaliou.

A terapia de Antônio e Carol tem sido a cozinha. Enquanto experimentam pratos novos, aproveitam o ambiente para novas conversas, mesmo após dez anos de relacionamento.

– Entramos em um modo de cooperação muito grande. Não me recordo na nossa relação em casa de estarmos tão unidos e nos organizando de forma tão dinâmica e cooperativa. Acho que o momento pede isso, e o sentimento é geral – disse Antônio.

Tati alertou para quem está no outro lado: casais que só têm visto desarmonia neste período:

– Os números da violência doméstica só aumentaram durante a pandemia. Precisamos falar dessa cooperação, que é uma coisa linda, mas não podemos esquecer que tem muita gente sofrendo por estar em quarentena.