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O trabalho pós-Covid

Que características as empresas e profissionais precisam ter para sobreviver no mundo pós-pandêmico?

Por 2min
6 de agosto de 2020

Que características as empresas e profissionais precisam ter ou desenvolver para sobreviver no mundo pós-Covid? Quase cinco meses após o início da quarentena no Brasil, já passou o tempo de se adaptar ao “novo” mercado – até porque ele não foi reinventado, e sim antecipado, de acordo com a administradora Flávia Queiroz, diretora de capital humano da Etalent, empresa de tecnologia especializada em gestão de comportamento. Da conversa com a especialista, separamos alguns insights.

1 – Não é que mudou: acelerou

Embora o mundo pareça ter virado de cabeça pra baixo, as características dos profissionais mais desejados não mudaram de janeiro pra cá. Segundo uma pesquisa divulgada pelo LinkedIn naquela ocasião, as características dos profissionais mais desejados eram as seguintes: capacidade de adaptação diante de cenários incertos; criatividade para soluções inovadoras; capacidade de persuasão para comunicar suas ideias; cooperação em busca de alta performance; e inteligência emocional para responder a suas próprias emoções a às dos outros. Atualíssimo, não?

– O futuro chegou às pressas. Muitas tendências e linhas de pensamento já existiam, só acelerou. Acelerou a forma como as pessoas vivem e o que as empresas precisavam alterar – avalia Flávia Queiroz. – Se eu fosse sumarizar essas competências, ressaltaria a aprendizagem contínua. Pensar em novas estratégias de aprendizagem, todo dia. Pensamento analítico e inovador. Isso é um gap educional brasileiro. As soft skills não eram tão pautadas, sempre fomos muito regidos pelo conhecimento [hard skills] – diz.

2 – Tecnologia é fundamental. Mas não anda sozinha

Um report recente do McKinsey Global Institute (MGI) aponta que competências digitais serão mais valorizadas (e não estamos falando apenas de domínio das ferramentas Office). Se os termos AI, IOT, Big Data e Blockchain não significam muito para você, a hora de aprender é essa. Claro que a tecnologia terá papel fundamental num mundo (ainda mais) conectado. Mas ela não significa nada sozinha.

– Quando a gente fala de revolução digital, 4.0, a gente está falando de pessoas, porque tecnologia é apenas o meio – diz Flávia Queiroz.

 

 

 

3 – Resiliência é a palavra

Em Física, resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após serem submetidos a uma deformação elástica. O termo foi adaptado à capacidade humana de adaptação. E mais do que nunca, é fundamental.

– A gente tem que ter um perfil ágil, muita disciplina e resiliência. A capacidade de se adaptar será cada vez mais demandada. A rapidez com que tudo vai acontecer continuará muito grande. Então a capacidade de solucionar problemas complexos de forma criativa será muito demandada. Mindset inovador vai ser um pré-requisito pra se manter no mercado, especialmente entre empreendedores – avalia Flávia. – Isso vai demandar maturidade de gestão e nível de prontidão das pessoas.

4 – Home office não é tendência, é realidade

Dados do IBGE de maio mostraram que 8,7 milhões de brasileiros estavam trabalhando remotamente naquele mês. Para a surpresa de muita gente, com alto índice de produtividade.

– A cadeia de comando e controle caiu. As pessoas podem produzir, trabalhar e serem eficientes à distância – sentencia Flávia Queiroz. – Tem um pouco de perda, das coisas subliminares de quando estamos perto – um olhar, por exemplo. Mas somos muito demandados, como antes, e menos interrompidos. Em casa temos outro nível de foco – assegura.

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