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Para manter a cabeça no lugar

Ricardo Basaglia afirma: "O número de pessoas afetadas psicologicamente vai ser muito maior do que de infectadas"

Por 2min
25 de março de 2020

A atual crise sanitária mundial não traz apenas uma ameaça à saúde. Além do coronavírus, há outro inimigo invisível e, até aqui, pouco atacado:

– O número de pessoas afetadas psicologicamente vai ser muito maior do que pessoas infectadas. Não é de hoje que o grande mal do século é a depressão, problemas psicológicos. E quando vem uma situação como essa, naturalmente você deixa as pessoas mais expostas, e muitas vezes isso não é colocado no radar – diz Ricardo Basaglia, diretor geral da Michael Page.

Ricardo trabalha com recrutamento e seleção de executivos de alta e média gerências, e é especialista em liderança. Ele foi o convidado de ontem na quarentena de lives da Reserva, e falou sobre os efeitos psicológicos da crise e como se proteger. Para ele, estamos vivendo “o tipo de situação para a qual nunca ninguém vai estar preparado”.

– Geralmente o que te tira o eixo é o que você não planejava. Isso diz muito também sobre a gente lidar com ansiedade, como lidar da melhor forma, como a gente reage – avalia.

Do ponto de vista corporativo, Ricardo acredita que o líder precisa conciliar três stakeholders: o acionista, o cliente e o time.

– Ao tomar uma decisão, precisa conciliar as três partes. Qualquer decisão tomada para apenas uma delas acaba sendo ruim para a empresa. Como líderes, temos que nos preocupar com a saúde financeira também, até porque a longevidade da empresa garante o emprego das pessoas, mas uma coisa é fato: as pessoas vão julgar as atitudes que você toma nesse momento crítico, pra avaliar se elas querem continuar na empresa ou não. E eu tenho recebido muitos currículos de pessoas decepcionadas com as lideranças de suas empresas – conta o headhunter.

Para ele, é o momento de soluções criativas, como happy hour virtual, aulas de exercícios online, shows de talentos (cada pessoa mostra virtualmente uma característica que não é conhecida do resto da equipe) e até mesmo o dia do pet, quando cada um mostra seu animal de estimação. Ricardo vê aí uma oportunidade de unir mais as pessoas.

– O meu conceito de positividade é: se você é do perfil mais esotérico, você já deve ter ouvido que positividade atrai positividades, o que você emana pro universo, volta, é uma questão de troca de energias. Se você é mais cético, talvez já tenha estudado que quando você tá com positividade, seu cérebro oxigena muito mais rápido e provoca muito mais sinapses e mais criatividade.

Entre as reconfigurações que precisam ser feitas num período de trabalho remoto, segundo Ricardo, está a confiança plena na equipe.

 

 

– Mandar whatsapp de 5 em 5 minutos não vai deixar a pessoa trabalhar, ou ela vai ficar dando retorno pra você ou ela vai trabalhar. Temos que agendar momentos de conversar pra dar espaço pra pessoa desenvolver seu trabalho, mas ao mesmo tempo lembrar que essa proximidade vai dar segurança que a pessoa ta fazendo o que é necessário. Essa empatia é fundamental. Performance =  talento – interferência.

Além das dicas de Ricardo Basaglia, listamos algumas outras que podem te ajudar a ficar em paz, com a cabeça fresca apesar do confinamento indesejado:

– Que tal procurar uma academia virtual de Mindfulness? Sim, a velha e boa meditação melhora a produtividade e combate a ansiedade e o

– Evite querer ficar sabendo a todo momento das últimas notícias. Nada de errado em se manter informado, mas não faz bem embarcar numa rotina de assistir à TV ou buscar na internet 24h por dia sobre os estragos do coronavírus.

– Lembre que o confinamento tem um sentido: a não-proliferação do vírus. Isso já deveria ser motivo suficiente para encher seu dia de propósito.

– Essa vale para qualquer momento, mesmo sem quarentena, mas não custa reforçar: faça exercícios, durma bem e se alimente bem. Aquela frase em latim, mens sana in corpore sano, continua atualíssima.