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Proteção para todos

Estudos internacionais e Ministério da Saúde passam a recomendar máscaras caseiras contra o Covid-19

Por 2min
3 de abril de 2020

Quando a Reserva decidiu produzir 10 mil máscaras não-hospitalares para distribuir em comunidades cariocas, seguiu as recomendações técnicas de uma pneumologista da Fiocruz. Feitas em tricoline e com duas camadas, elas teriam como principal função proteger da contaminação e desafogar a demanda de máscaras cirúrgicas – que devem ser destinadas a profissionais da área médica que estão na linha de frente do combate à pandemia. Porém, de uns dias para cá, autoridades da área de Saúde passaram a recomendar com ênfase a produção de máscaras caseiras. O nosso molde está aqui. Caso queira seguir as instruções do ministério, o tutorial é este.

– Máscaras de pano para uso comunitário funcionam muito bem e não são caras de se fazer – disse esta semana Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde. – Pode lavar com sabão ou água sanitária, deixando de molho por cerca de 20 minutos. E nunca compartilhar, porque o uso é individual – completou o ministro.

A visão da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que, diante da impossibilidade de identificação de doentes assintomáticos, o uso de máscaras protege os não-infectados.

O entendimento se dá após a publicação de estudos estrangeiros sobre o tema. A Universidade de Cambridge (Inglaterra) afirma que as máscaras produzidas à mão têm uma eficácia de cerca de 1/3 em relação às máscaras cirúrgicas no bloqueio da propagação do vírus. Já o estudo financiado pelo governo holandês diz que o uso de máscaras de pano tem “efeito significativo”. A revista Science também reforça o coro, após entrevista com George Gao, diretor do Comitê Chinês para Prevenção e Controle de Doenças. Para ele, o não-uso de máscaras no mundo ocidental era um grande erro.

 

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– Não se trata de uma proteção para você apenas, é para proteger as demais pessoas – corrobora KK Cheng, especialista em Saúde Pública da Universidade de Birmingham (Inglaterra) na entrevista à revista.

Benjamin Cowling, epidemiologista da Universidade de Hong Kong, também entrevistado pela Science, vai além: para ele, o uso de máscaras é efetivamente uma proteção pessoal também.

No entanto, para que os benefícios sejam reais, é preciso tomar uma série de medidas de limpeza dos equipamentos de proteção. O Ministério da Saúde acrescenta as seguintes recomendações:

–  a máscara é individual, não pode ser dividida com ninguém;

– a máscara deve ser usada por cerca de duas horas. Depois desse tempo, é preciso trocar. Por isso, o ideal é que cada pessoa tenha pelo menos duas máscaras de pano;

–  a máscara serve de barreira física ao vírus. Por isso, é preciso que ela tenha pelo menos duas camadas de pano;

– também é importante ter elásticos ou tiras para amarrar acima das orelhas e abaixo da nuca. Desse jeito, o pano estará sempre protegendo a boca e o nariz;

– use a máscara sempre que precisar sair de casa. Saia sempre com pelo menos uma reserva e leve uma sacola para guardar a máscara suja, quando precisar trocar;

– chegando em casa, lave as máscaras usadas com água sanitária. Deixe de molho por cerca de dez minutos;

– Serve qualquer pedaço de tecido, vale desmanchar aquela camisa velha, calça antiga, cueca, cortina, o que for.

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