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Quarentena é matrescência

Especialistas comparam período de isolamento com aquele imediatamente após o nascimento de um filho

Por 2min
8 de Maio de 2020

Segundo o IBGE, as mulheres trabalham praticamente o dobro de horas dos homens, no que se refere ao cuidado com as casas e as pessoas, sejam crianças ou idosos. Durante a quarentena, a situação parece ter se agravado ainda mais, já que as pessoas têm passado o tempo inteiro em suas casas. Mais tempo também para estreitar e reforçar conexões com os filhos.

Para debater esta e outras questões, neste Dia das Mães já falamos aqui sobre a dificuldade de conciliar a maternidade com o empreendedorismo. Esta semana, a Reserva Mini reuniu via live Juliana Silveira, do blog New Families, e Luciana Cattony, da consultoria Maternidade nas Empresas, com o tema “Nós, o novo eu – o que a maternidade nos ensina durante a quarentena”.

– Conciliar carreira e maternidade é um dos grandes desafios que as mulheres do nosso tempo enfrentam diariamente, e durante a pandemia de Covid-19 e a necessidade de isolamento social, isso ganhou proporções ainda maiores. Seja para aquelas que empreendem como desejo ou opção, seja para as que seguem como colaboradoras do mercado ou optaram por exercer a maternidade exclusivamente – disse Juliana.

– Estamos vendo com o coronavírus que a vida pessoal e a vida profissional são completamente interligadas, não dá pra separar. Precisamos trafegar num caminho do meio entre maternidade e carreira, ora estamos mais pra um, ora estamos mais pra outro, e tudo bem. Vamos trafegamos à medida que vamos conseguindo – afirmou Luciana.

 

coração de mãe

 

A consultora citou o conceito de “Matrescência” – que seria uma fase na vida da mulher em que há muitos hormônios e transformações, guiadas pelo nascimento de um filho. Neste período, a mulher costuma ter sentimentos ambivalentes, altos e baixos em curto espaço de tempo, causados pelas mudanças de rotina. Segundo Luciana, uma sensação parecida tem ocorrido durante a quarentena.

– A mãe fica muito dedicada a esse universo, e por conta disso entramos em isolamento de certa forma, estamos confinadas naquilo – avaliou Juliana. – Temos uma certa experiência no confinamento, não me sinto tão pouco familiar, já vivi isso. E nós vivemos em alguns momentos, como no puerpério, ou quando fazemos uma escolha pelos filhos, de ficar mais tempo com eles.

Juliana Silveira ressaltou também que o momento em casa é propício para o reforço dos laços entre pais, mães e filhos.

– A fraqueza, o defeito, o choro, conectam os filhos. Eles reconhecem a vulnerabilidade, a verdade, o afeto, a humanidade, e é isso que eles precisam pra se conectar. Eles não querem uma mãe, um pai que esteja sobre eles, eles querem alguém que esteja com eles. Isso nos coloca numa posição de muito mais construção, toda essa conexão precisa de humanidade e os humanos não são perfeitos.

Para Luciana, a demonstração de vulnerabilidade é muito importante em momentos com este.

– É a coragem de nos expormos num momento em que não temos certeza de nada e tudo é novo. Vamos abrir nosso coração, ter a escuta ativa, presença plena e podermos passar isso pras nossas crianças, pros nossos gestores, colegas. É um momento muito bacana de sermos empáticos. As empresas que tiverem isso no seu DNA vão sair muito bem, estamos numa época em que as máscaras caem, só vai ficar quem tiver um discurso coerente e de fato preocupado com o próximo.