Causas

1P5P: 40 milhões de pratos doados

Após quatro anos, programa de combate à fome da Reserva atinge marca com ajuda dos consumidores

Por 2min
16 de setembro de 2020

Desde maio de 2016, com o 1P5P, cada peça comprada na Reserva é revertida em doações que viram cinco pratos de comida

 

O programa 1P5P da Reserva acaba de atingir a marca de 40 milhões de refeições complementadas. Desde maio de 2016, cada peça comprada na marca é revertida em doações que viram cinco pratos de comida, servidos pelos parceiros Banco de Alimentos e Mesa Brasil, do Sesc, que fazem chegar a quem precisa.

Para se ter uma ideia da grandeza do número, é como se fosse servida uma refeição a cada habitante das 12 maiores capitais brasileiras (São Paulo, Rio, Brasília, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus, Curitiba, Recife, Goiânia, Belém e Porto Alegre), que juntas somam 40 milhões de habitantes.

– Mas para nós, mais importante do que os próprios números, são os resultados qualitativos do 1P5P. Presenciar o impacto do projeto na vida das pessoas é indescritível. Nos últimos dois anos, buscamos deslocar esse foco nos números para um olhar mais sensível e humano sobre o processo. Revelamos os rostos por trás do projeto: doadores de alimentos, nutricionistas, assistentes sociais, cozinheiras, motoristas e pessoas beneficiadas – diz Alan Abreu, analista de Sustentabilidade da Reserva e responsável pelo projeto 1P5P.

Luciana Quintão, presidente da OBA – uma das ONGs responsáveis pela distribuição de alimentos – é parceira de primeira hora do programa e exalta o resultado:

– A parceria entre Banco de Alimentos e Reserva nos mostra que é possível construirmos o mundo que queremos ter. Basta assumir suas potencialidades que a transformação vem – destaca.

– Essa parceria é fundamental, fazendo chegar alimentos a quem realmente precisa, a pessoas com risco social e nutricional. A Reserva contribui, e muito, pra que isso aconteça, através do 1P5P. Que sigamos juntos por muitos e muitos anos – diz René Lopo Neto, do Mesa Brasil, projeto do Sesc para o combate à fome.

As duas entidades trabalham com o conceito de colheita urbana, recolhendo alimentos excedentes em indústrias, supermercados, restaurantes e hortifrútis, entre outros, e distribuindo-os a instituições que atendem a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Também faz parte dos projetos a capacitação dessas entidades, para que haja o aproveitamento integral dos alimentos, além do banco de alimentos. A cada compra, a Reserva faz o repasse financeiro que ajuda a manter essas atividades. Todas as etapas são auditadas, e a prestação de contas está disponível no site do programa 1P5P.

– Desde 2016, quando o 1P5P foi criado, reconhecemos inúmeras vezes que a transformação social começa com a alimentação. Não temos e nunca tivemos pretensão de resolver o problema da fome no Brasil, mas tentamos fazer a nossa parte na construção de um país mais justo. E hoje, analisando os resultados do projeto, mesmo sabendo que ainda existe um longo caminho a ser percorrido, nos dá imensa satisfação os relatos de mudança na vida de tantas pessoas e instituições que já foram beneficiadas com as doações – avalia Jayme Nigri, sócio e COO do grupo Reserva. – O projeto nasceu com um propósito muito claro cujo legado ajuda a reforçar premissas de responsabilidade social que, como parte do movimento de Empresas B, julgamos não somente importantes, mas também necessárias. Um agradecimento especial ao Banco de Alimentos, ao Mesa Brasil e a todas as pessoas envolvidas que trabalham incansavelmente fora dos holofotes para fazer com que essa transformação aconteça. – completa Jayme.

Em tempos de pandemia, as doações são mais necessárias do que nunca. Segundo dados divulgados pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) em julho, a fome voltou a aumentar no Brasil. A entidade diz que entre 2017 a 2019, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar no país é de 43,1 milhões, ante 37,5 milhões no período de 2014 a 2016. Percentualmente, o número subiu de 18,3% para 20,6%.

Lamentavelmente, não se trata de um retrato exclusivo do Brasil. O aumento da fome é uma tendência global – estima-se que entre 83 e 132 milhões de pessoas em todo o mundo entrem para as estatísticas da fome, em função da recessão causada pela Covid-19. O retrocesso coloca em dúvida a meta de erradicar a fome no mundo até 2030, um dos 17 ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Susntentável) da ONU para o fim da próxima década.

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