Causas

A arte precisa sobreviver

Coletivo lança plataforma para que público adiante receitas a artistas e produtores culturais

Por 2min
17 de abril de 2020

Quando se fala em “crise do coronavírus”, a questão não é apenas sanitária, mas também financeira. Com a quarentena, muitos profissionais autônomos tiveram suas rendas reduzidas e até eliminadas. Com a arte não é diferente. Pensando em minimizar as perdas de artistas e produtores culturais, o coletivo urbano carioca Solto lançou uma plataforma chamada Adianta. Como o nome sugere, a ideia é a antecipação de receita em trabalhos futuros – uma ótima ação.

A iniciativa surge num momento em que a Unesco, preocupada com os efeitos da pandemia, convocou governos de todo o mundo a pensarem em soluções para os artistas. A reunião (virtual, claro) acontece semana que vem. Em paralelo, vêm surgindo iniciativas de fomento tanto do poder público como da iniciativa privada. O governo do Rio anunciou um edital que pagará prêmios de R$ 2,5 mil para até 15 mil ações culturais; e a prefeitura carioca afirmou que vai antecipar a seleção de seus editais, adiantando a verba para os produtores; já o Instituto Moreira Salles lançou um programa de incentivo à criação artística durante a quarentena.

A inspiração do Adianta veio da OLX, onde toda compra e venda se realiza entre os próprios usuários – o Solto não se envolve nem cobra comissão, apenas funciona como rede de apoio e divulgação para os trabalhos. Já são 40 artistas cadastrados, e a previsão é que este número dobre até a próxima semana. Estão oferecendo seus serviços nomes como Fernando Schlaepfer (fotógrafo/DJ), Ronaldo Land (diretor/fotógrafo), Dolores Esos (grafiteira, autora da arte que ilustra este post), Guilherme Brehm (diretor), Gabriel Solano (drone), Luiza Feijó (DJ/tatuadora) e muito outros.

– A pessoa entra na plataforma, visita os perfis e, caso se interesse por algum artista ou trabalho, entra em contato diretamente e combina o projeto – diz Daniel Medeiros, que criou o Solto com o amigo Raphael Peres.

– Para nós, que estamos com a mobilidade restrita agora, o pagamento antecipado é um enorme adianto – diz o grafiteiro Gabriel Omepp.

O Solto é um coletivo de cultura urbana que conecta experiências de aprendizado, desenvolvendo uma rede, capacitando e engajando os criativos. Eles criam e selecionam as mais diversas experiências, como palestras, formações, eventos e oficinas, permitindo a aplicação prática dos conteúdos. O objetivo do projeto é criar pontes para que os jovens ocupem a cidade de maneira organizada e artística.

Arte em camisetas

A propósito: a Reserva Ink, plataforma de empoderamento de pequenos empreendedores que querem colocar na rua suas ideias através da moda, está oferecendo 40 dias gratuitos para quem quiser experimentar o serviço no período de quarentena. Vale também para fotógrafos, artistas e designers que queiram colocar suas artes em estampas e lançar pro mundo, sem se preocupar com produção, distribuição e faturamento. Mais um adianto.

 

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