Causas

Antena do bem

Publicitária roda o mundo atrás de histórias inspiradoras, que ela comunica através do rádio e de imagens

Por 2min
20 de Maio de 2020

O abraço solidário de Sílvia Castro não cabe na sua vizinhança, em Belo Horizonte. Por isso, ela desbrava o mundo atrás de iniciativas inspiradoras, que ela comunica. Otimista por natureza, o que a move é levar adiante boas notícias.

– Não tenho a ilusão, nem sou tão alienada, de achar que os problemas do mundo vão se resolver, mas tento dar uma chacoalhada – resume.

Sílvia sempre gostou de escrever. Então formou-se em Publicidade e se especializou em redação publicitária. Criava anúncios para as agências em que trabalhou, na capital mineira. E assim seguia a vida quando começou a se perguntar sobre o propósito daquilo.

Quis o destino que seu marido recebesse uma proposta de trabalho no Rio, e ela veio junto, deixando pra trás o trabalho. Arrumou vaga na TV Globo, como pesquisadora de texto. Na sequência, conseguiu ser roteirista da linha de entretenimento da emissora.

– Fui parar no programa da Xuxa, fazendo um quadro onde tinha que realizar sonhos, através de cartas recebidas – lembra Síliva. – Amei essa história de ir para os lugares mais remotos do Brasil, pra realizar sonhos, trazendo novas perspectivas de vida. Todos brigavam pra ir pra casa da Ivete, eu brigava pra ir conhecer a Mariazinha no interior do Rio Grande do Norte – diz.

O programa acabou, Sílvia e o marido voltaram para BH. Mas ela decidiu que continuaria a fazer roteiros e vídeos. Embarcou numa viagem de voluntariado ao interior do Piauí – e pela primeira vez levou a própria câmera, responsabilizando-se totalmente pela narrativa.

 

da horta para a mesa

 

O Piauí foi só o começo. Emendou uma viagem ao Haiti – que na ocasião tinha sido devastado por um furacão –,  e isso acabou lhe rendendo o convite da Rádio 98FM, de BH, para fazer a cobertura.

– Eles viram que eu tinha ido e me contactaram. Expliquei que estava querendo fazer um ‘conteúdo do bem’. Acabou virando o programa “Aceleradores do bem”, que também é transmitido na NET. Eu filmo, gravo e edito – explica. – Virei uma antena, que capta tudo e redireciona.

No seu passaporte também tem carimbo do Líbano (onde visitou campos de refugiados sírios), do Peru (foi conhecer a tribo Shipibo Conibo, que está desaparecendo por falta de assistência governamental), de Moçambique (também por conta de um furacão, foi mostrar como os moradores da Beira estão refazendo suas vidas).

No Brasil, foi muito longe, na Amazônia, encarando 36 horas de viagem para chegar a um vilarejo que perdeu sua escola por falta de professores – mas tentou minimizar essa ausência com a criação de uma biblioteca. E, claro, esteve em Brumadinho quando houve a tragédia na represa da Vale.

– Fiquei superenvolvida. No primeiro mês, tinha gente de todo lugar do mundo. Um mês depois, talvez eu fosse a única produzindo conteúdo de lá, mostrando como as pessoas estavam se reerguendo. E de janeiro de 2019 pra cá, fiz 12 boletins – conta.

As ações solidárias voluntárias de Sílvia acabaram rendendo convites para conhecer outros projetos. Hoje, filtra as marcas em que realmente acredita para falar a respeito. E, como “otimista irrecuperável”, consegue ver o copo meio cheio também na pandemia:

– A gente tava na beira do abismo, no nosso limite máximo, e isso veio como um grande alerta: “gente, para, pensa, revê e vamos refazer. Como está não dá”.  Não tenho a impressão de que o mundo vai ser cor de rosa, mas acredito que muita gente e muitas empresas despertaram – diz.