Causas

Arte contra a fome e o vírus

Reserva faz parceria com a artista Paula Costa, com vendas de camisetas e máscaras revertidas para o 1P5P

Por 2min
29 de abril de 2020

arte contra a fome e o vírusContra a fome e o vírus, um pouco de arte. No último domingo, a Reserva lançou uma parceria com a artista plástica Paula Costa, com máscaras e camisetas estampadas com seu trabalho. As vendas serão integralmente revertidas para o programa 1P5P, que complementa cinco pratos de comida a cada peça vendida pela marca. A ação foi elaborada pela Revista de Moda, do Estadão e FHits.

Casada com o músico Rodrigo Suricato, Paula usou versos de “Até o fim” no bordado que ilustra o trabalho: “Eu cuido de você e você cuida de mim” – uma referência direta tanto ao coronavírus como ao próprio planeta, na visão de Paula.

Gerente de Marketing, executiva, empreendedora, Paula Costa já havia feito muitas coisas em sua carreira – e muito bem todas elas, por sinal. Um dia, sentiu que ainda não tinha chegado ao lugar que queria.

Há três anos, combinou com o marido e o filho Matheus (hoje com 13 anos) de entrar num quarto vago em sua casa, como numa quarentena introspectiva, e lá ficou por três meses. Só saía para os diversos cursos que fez em sequência, na Escola de Artes Visuais Parque Lage.

– Foi uma das experiências mais claustrofóbicas, mas tive um encontro com minha essência, com a forma como enxergo o mundo. A única certeza que eu tinha é que precisava me expressar verdadeiramente sem me preocupar comercialmente. Pra mim foi um renascimento – conta Paula, que descobriu a artista plástica que habitava nela.

E ela enxergou que, em todos os seus trabalhos anteriores, essa necessidade de expressão através da arte já estava ali, à beira de aflorar. E aflorou, aliás, em pétalas de rosas bordadas à mão por Paula. A série, intitulada “Transborda”, virou sua primeira exposição (que tinha apenas um quadro, e o resto dos trabalhos era apresentado em suportes orgânicos), e rendeu o primeiro livro, rapidamente esgotado.

Antes de chegar até essa nova linguagem, Paula foi diretora de Marketing da Farm, comandou a Fábula em seu início, até lançar o Gávea Garage, seu negócio de móveis, que durou cinco anos. E na sequência, um escritório de direção criativa, onde atendeu a diversas marcas, como BB Básico, Coca-Cola e A-teen. No trabalho para a BB Básico, criou campanhas inovadoras, levantando a bandeira da inclusão. Também na área infantil, fez a direção criativa das histórias da escritora Tati Kauss.

– Hoje entendo que sempre fui artista visual em todos os trabalhos que tive. Ser empresário no Brasil não é fácil. E não tenho o perfil de business na minha veia – avalia Paula.

Quando chegou a essa conclusão, libertou-se – “confinando-se” por três meses naquele quarto que hoje ela chama de ateliê, num mergulho introspectivo .

O trabalho visual único, descoberto pela curadora Cristina Burlamaqui e hoje representado por Ana Carolina Ralston (também mentora e amiga), a levou à Galeria Kogan Amaro e a uma segunda exposição. E novo livro, “(Im) permanência”, lançado já na terceira exposição, de mesmo nome, na Belas Artes, em SP. Em suas páginas, obras e processos criativos, e desta vez ainda com registros de performances, que ela desenvolveu no Recife, em São Paulo, Curitiba e Goiânia, ao lado de nomes como Mariana Ximenes e Nêga. Em São Paulo, a performance foi com espelhos em plena Avenida Paulista. Em um novo estudo, a partir de 2019, passou a utilizar também pedras de gelo como suporte, e evoluiu para esculturas.

Um trabalho em permanente diálogo com o tempo, como é o próprio uso das máscaras, marca da época única que vivemos. No futuro, quando olharmos para o trabalho de Paula, a certeza de agora – “Vai passar” – já terá sido realizada.

– A máscara é feita através de estampa localizada, arte feita a partir da foto da original, porque o vírus poderia entrar através dos furos do bordado – explica Paula. A venda das máscaras e camisetas estará disponível até domingo (3 de maio).