Causas

Combater a fome promove a paz

Programa de Alimentos da ONU leva o Nobel da Paz, e 1P=5P dobra entrega em homenagem ao Dia da Alimentação

Por 2min
15 de outubro de 2020

Combater a fome é promover a paz. Esta foi a mensagem enviada na última sexta-feira pela Academia Sueca, ao premiar o Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP) com nada menos que o Nobel da Paz. A entidade destacou o papel fundamental da agência das Nações Unidas durante a pandemia, quando a situação da falta de comida se agravou em todo o mundo.

Neste 16 de outubro, quando se comemora o Dia Mundial da Alimentação, a data tem um sabor ainda mais especial.

E a Reserva se une ao bom combate ampliando, nos dias 15 e 16, seu programa 1P=5P para 1P=10P.

Durante esses dois dias, cada peça vendida pela Reserva, no site ou nas lojas físicas, vai ajudar a complementar 10 refeições, através de doações à ONG Banco de Alimentos (OBA) e ao programa Mesa Brasil, do Sesc. No mês passado, o 1P=5P ajudou a complementar 40 milhões de pratos distribuídos em pouco mais de quatro anos.

– A necessidade de solidariedade internacional e cooperação multilateral devem ser a ordem do dia, visto que o problema da fome é atemporal e assola muito mais pessoas do que imaginamos. Com isso, vários agentes podem contribuir para mitigarmos os efeitos nocivos dessa problemática, como é o caso da Reserva e o seu projeto 1P=5P. Sem ambição de acabar com a fome no nosso país, mas enquanto iniciativa privada, entendemos que a nossa contribuição nasce do princípio de que sim, podemos fazer a nossa parte para transformar realidades de muitas pessoas em insegurança alimentar –  diz Alan Abreu, analista de Sustentabilidade da Reserva e responsável pelo projeto 1P=5P.

Na justificativa do Nobel, os suecos anunciaram que a escolha do WFP era “pelos esforços para combater a fome, pela sua contribuição para melhorar as condições para a paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra e conflito”. A agência da ONU atua em situações de emergência e em países afetados por conflitos, onde há mais risco de desnutrição.

O Programa de Alimentos auxilia a cada ano cerca de 97 milhões de pessoas, em 88 países. Ainda assim, o esforço é aquém do necessário: estima-se que 265 milhões de pessoas em todo o mundo estão ameaçadas pela fome.

Em entrevista à BBC Brasil logo após o anúncio do prêmio, o representante do WFP no Brasil, Daniel Balaban, afirmou que a “luz amarela para fome no Brasil foi acesa”, e que será preciso agir rápido para evitar que o país volte ao Mapa da Fome (quando mais de 5% da população enfrenta insegurança alimentar grave). Dados recentes do IBGE dão conta de que 10,3 milhões de brasileiros estão em situação famélica.

Segundo um estudo do Banco Mundial divulgado esta semana, a pandemia de covid-19 deve fazer a pobreza extrema avançar no mundo pela primeira vez em mais de duas décadas. Estima-se que apenas este ano, 115 milhões de pessoas estejam sendo empurradas a essa situação. O número deve piorar ainda mais ano que vem, com a projeção de 150 milhões de novos miseráveis. Segundo os critérios do banco, a extrema pobreza se caracteriza pela renda diária abaixo de US$ 1,9.

Não perca: nesta sexta-feira (16) a OBA promove o webnário “Alimentação – o que podemos aprender com a pandemia?” A crise econômica provocada pelo coronavírus aumentou drasticamente os indicadores de fome ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que as limitações impostas pela Covid-19 acarretaram muita reflexão e discussão sobre o nosso modo de viver e de nos relacionar com o próximo e com o planeta. No evento, especialistas debatem os desafios enfrentados, projeções para o futuro, entre outros temas. Com as participações de Luciana Quintão (OBA), Gustavo Porpino (Embrapa), Bruna Cutait (nutricionista, especialista em Aproveitamento Integral de Alimentos) e Nuno Cabrita Alves (Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares), e outros convidados especialíssimos. Inscrições aqui, transmissão aqui.