Causas

Cuidado é pra contagiar

Modelo de máscaras confeccionadas pela Reserva e parceiros poderá ser copiada livremente

Por 2min
27 de março de 2020

A Reserva entrou na luta contra o coronavírus. A marca vai distribuir 10 mil máscaras feitas com tecido doado pela empresa e confeccionadas em fábricas parceiras, em todo o país. Elas serão destinadas a comunidades do Rio, onde há alta densidade demográfica, o que facilita a proliferação do vírus.

– Cuidar, emocionar e surpreender é o nosso propósito, e quando esse propósito é de verdade, deve ser entregue com responsabilidade para a maior quantidade de pessoas possível: colaboradores, clientes, fornecedores e comunidades ao nosso redor – disse Rony Meisler, CEO da Reserva, ao anunciar a medida.

Fernando Modenesi, gerente de Marketing da Reserva, contou que a ideia surgiu de várias frentes, e o time de Produto se empenhou na criação de um protótipo que fosse validado por especialistas – não como uma máscara cirúrgica, mas para diminuir a exposição ao vírus nas comunidades que receberão o equipamento. O tecido utilizado foi a tricoline – usada, por exemplo, na camisa que ilustra este post -, seguindo orientação de médicos.

Somos uma empresa B, para nós o sucesso não é medido apenas pelo lucro financeiro, e este é um exemplo muito prático. E estamos liberando o molde do produto, para que outras empresas e lideranças se animem neste sentido, é um projeto open source para ser replicado – disse. Afinal, cuidado é pra contagiar mesmo.

 

 

Cláudia Moraes, diretora de Compras da Reserva, foi a responsável por acionar a cadeia de fornecedores. São quatro as fábricas envolvidas: Arremate, de Monte Alegre (RN); Cores Vibrantes, do Rio; Suit Camisaria, de Rio Pomba (MG) e EGM, de São José de Mipibu (RN).

– É a melhor coleção que eu já fiz na minha vida – disse Cláudia. – Depois da validação do produto, percebemos que só com as nossas costureiras o serviço ficaria muito lento. Entrei em contato com alguns fornecedores de camisaria e todos foram muito receptivos. Apenas as pessoas que se voluntariaram foram trabalhar. Todos estão doando o trabalho, e a Reserva, o tecido – explicou a diretora, que lembrou que, no caso do Rio, onde o isolamento é total, a produção foi espalhada pelas casas das costureiras.

Marconi Rodrigues de Souza, da Arremate, foi um dos que imediatamente aceitaram a tarefa.

– Sou engenheiro têxtil de formação. Gosto muito da minha profissão. E nesses 35 anos dentro de fábrica, nunca fiz uma produção que me desse tanto prazer. É nas crises que a gente arruma solução – afirmou. Na cidade de Monte Alegre, ainda não há casos de Covid-19. No entanto, as costureiras estão mantendo todas as regras de prevenção, com distância de 2 metros entre cada uma, e lavagem frequente de mãos. – Vou fazer em paralelo mais mil para espalhar na região de Natal. Vamos nos contaminando só com coisas boas. Estamos todos bastante realizados, eu e as costureiras – contou Marconi.

Para Rony Meisler, o exemplo precisa ser lembrado futuramente:

– O grupo Reserva produz prioritariamente no Brasil [quase 95%] porque faz questão de aqui gerar emprego e renda. Quando esta crise passar, que o mercado da moda se lembre deste dia para prestigiar mais a indústria nacional ao invés da asiática – disse.

Das fábricas, as máscaras serão enviadas para o Centro de Distribuição da Reserva. Lá, uma operação também foi montada, com todo o cuidado necessário, para a embalagem e a distribuição do produto. As entidades que receberão as máscaras são o Centro de Artes da Maré, a Semearte (na Rocinha), a Voz da Comunidade (Complexo do Alemão) e a Rede Postinho (no Pavão-Pavãozinho).

Outra notícia importante: ao longo de toda a crise do coronavírus, mais do que nunca segue de pé nosso programa 1P5P. A cada peça vendida no site, 5 pratos de comida são complementados através de bancos de alimentos apoiados pela Reserva.