Causas

Hora de fazer a diferença

Banco de Alimentos, parceiro do programa 1P5P, lança campanha de doações

Por 2min
3 de abril de 2020

Desde que se entende por gente, Luciana Quintão é preocupada com as questões que a cercam. Na época da faculdade de Economia, observou que havia muita pobreza no meio da riqueza. Em determinado momento, dialogando consigo mesma, perguntou-se se faria algo a respeito ou continuaria apenas observando. A resposta foi a criação da ONG Banco de Alimentos (OBA), em 1998, que ela preside deste então. A OBA é parceira da Reserva no programa 1P5P, que viabiliza a entrega de cinco pratos de comida a cada produto vendido pela marca.

Nessas mais de duas décadas de atuação, a OBA tem ajudado a combater a fome reduzindo o desperdício – coleta alimentos de doadores como supermercados e feiras para distribuir entre instituições. São itens não vendidos, mas ainda em perfeitas condições de consumo, que seriam descartados.

– Já entregamos mais de 8 milhões de quilos de alimentos, que nutriram o corpo e fortaleceram a saúde de milhares de pessoas que vivem em vulnerabilidade social de forma contínua – diz Luciana. A OBA atende diretamente a 40 instutições, com 22 mil pessoas. – O programa 1P5P da Reserva tem um papel fundamental no apoio de nossa ação. Vejo nos fundadores da marca esse mesmo olhar, de querer um país mais desenvolvido, justo, mais sustentável – avalia.

 

 

Luciana considera a fome “um absurdo que não deveria acontecer”. Ela se refere não apenas à fome física, mas também “de justiça, de paz, de respeito de gêneros, de respeito ao ser humano como um todo, de uma boa administração pública”. E decidiu recorrer às empresas, para ela vetores das transformações almejadas.

– Empresários têm poder na mão. A grande questão é: como usar esse poder? Para quê usar esse poder? Nada mais justo que empresários e empresas façam parte dessa renovação social – justifica.

A economista lembra que, no caso da Reserva, foi procurada por Rony Meisler, CEO do grupo, após uma viagem ao Nordeste em que testemunhou a fome por lá.

– Aquilo mexeu drasticamente com ele, e então ele me procurou e começamos a desenhar essa parceria – conta Luciana. Assim nasceu o 1P5P. Assim como a marca, que contabiliza publicamente as doações, de hora em hora, a OBA também faz suas entregas de forma transparente. – Falamos para quem doou, quantos quilos. Temos uma contabilidade especializada, essa sempre foi uma preocupação, para fazer parar essa cultura das pessoas terem medo de doar alimentos, porque o último lugar que o alimento tem que parar é no lixo – diz Luciana.

O “medo de doar” a que se refere Luciana se dá por causa de uma série de restrições atribuídas por lei a quem descarta alimentos. Mas, como reforça Luciana, a doação é vantajosa também – inclusive financeiramente – para quem faz a boa ação, uma vez que os custos de descarte são parcialmente eliminados.

 

– Para as instituições que recebem os alimentos, permite que a entidade tenha uma economia nas suas despesas e possa então comprar um remédio, uma fralda, produtos de higiene – lembra a presidente da ONG. – E o fato de as entidades estarem promovendo uma melhor alimentação, via banco de alimentos, faz com que os assistidos tenham menos problema de saúde. Existe ai um ganho geométrico pras outras áreas também. Sem esquecer o ganho social para todos, porque comida deixada de jogar no lixo significa menos lixo na cidade, esse lixo que causaria efeito estufa na decomposição, poluiria o ar e a terra através do chorume criado. É como se estivesse usando menos dinheiro para promover a saúde da cidade como um todo.

Luciana lembra ainda que, neste momento único que estamos vivendo, existem entidades sociais que não podem interromper seu atendimento – mais do que nunca, é hora de fazer a diferença – , e precisam ser abastecidas com comida.Para auxiliar essas entidades, Luciana lançou uma campanha, “Alimentando Juntos”, em que é possível fazer doações à OBA, que utilizará o dinheiro para fortalecer sua logística e comprar alimentos. A maior parte dos atendidos está nos grupos de risco: idosos, pacientes de hospitais e moradores de rua.