Causas

Pra fazer a moda circular

Reserva Circular permite ampliação da vida útil das roupas da marca e garante 20% de desconto em novas peças

Por 2min
28 de setembro de 2020 Atualizado em 29/09/2020 às 18:25

Em parceria com a Troc, Reserva cria o serviço Reserva Circular, em que peças usadas rendem descontos em novas, ampliando a vida útil dos produtos da marca, realizando um ciclo sustentável de consumo consciente e fazendo a moda circular.

Em 2015, a advogada Luanna Toniolo estava em Boston, preparando-se para um mestrado em Tributação. Tinha ganho uma bolsa de estudos, era sócia de um escritório, estava feliz e sua vida caminhava bem.

– Amava o que fazia, mas sou inquieta, e decidi pensar onde gostaria de estar dali a 10 anos. E percebi que não era lá. E decidi que precisava fazer algo em que pudesse contribuir para algo melhor. Tinha a força e a vontade de fazer a diferença. Comecei a estudar o mercado, e sempre fui apaixonada por moda, como a moda ajuda a gente a se comunicar. Mas os números de impacto da moda não estavam me agradando. A gente sabe que é a segunda indústria mais poluente, que a cada segundo que a gente tá falando aqui tem um caminhão de resíduos têxteis sendo colocados num aterros sanitário, e existe muito trabalho que pode ser feito pra mudar essa realidade – conta Luanna, revelando o exato momento em que teve o insight para a criação da Troc, seu brechó online.

Trocou o mestrado em Direito na Boston University por outro em Marketing, em Harvard, já focada no novo propósito.

A Troc é uma plataforma que conecta quem está interessado em vender a quem está interessado em comprar roupas usadas. De 2016 para cá, já fez 150 mil vendas. E agora vai ajudar a Reserva a repensar o futuro de suas roupas, com o lançamento do serviço Reserva Circular, que amplia a vida útil dos nossos produtos, realizando um verdadeiro ciclo sustentável de consumo consciente, fazendo a moda circular. Para entender a dinâmica do serviço, acesse o site especialmente criado para isso. Mas, resumidademente, funciona assim: cada peça usada da Reserva vale 20% de desconto numa peça nova da marca.

– A plataforma facilita o trabalho de quem quer vender, começando por recolher as peças em casa, fazendo uma análise dentro do nosso wearhouse. Precificamos, e o dono da roupa vai aprovar esse preço, mas a gente já tem o know-how, faz o cadastro, anuncia, vende e faz o pós-venda, então quem quer vender não tem desculpa pra vender e fazer a moda circular – diz Luanna.

Na avaliação da empreendedora – que hoje carrega no pulso uma tatuagem simbolizando a economia circular -, o Brasil ainda está aprendendo a consumir roupa usada. Para fazer com que a experiência seja extremamente positiva, ela se esforça para que, da curadoria de peças à entrega (numa caixinha com cheiro especial), a tudo quebre o paradigma.

– A gente sabe que não é cultural, no nosso país, consumir roupa usada. A gente não passou, como a Europa, por grandes períodos de recessão, como guerra, que acaba vendo o resale como uma oportunidade. Aqui no Brasil é necessidade. São peças muitas vezes de doação, muitas vezes em mau estado. Mas a nossa cultura está mudando, e a Troc está fazendo parte da história dessa mudança, mostrando que é possível, sim, comprar e usar roupas usadas de qualidade – diz Luanna, que cita ainda o período de pandemia como um acelerador da compreensão deste novo mercado: “andamos quatro anos em quatro meses”.

A meta de Luanna é que a Troc torne-se a maior referência em moda circular e consumo consciente do país. Para isso, tem investido em conteúdo educativo.

– Mas é sem extremismos, sem forçar nada, tá todo mundo aprendendo ainda – explica ela, que atualmente consome preferencialmente roupas usadas, mas antes da Troc – como 92% de seu público – nunca tinha tido a experiência. – Já consumia de tia, prima, sim. Mas é diferente de ser de alguém desconhecido. Se for necessário, vou ao shopping. Mas é “think second hand first”. Se não encontrar, vou para uma alternativa.

Luanna alerta para alguns números: segundo ela, a humanidade já tem roupas suficientes para os próximos 200 anos; enqaunto isso, a média mundial é de 20 a 30% de uso do próprio guardarroupa; e, desde os anos 90, 2000, as pessoas vêm comprando de 2 a 3 vezes mais e consumindo até 40% menos.

Pedimos ainda que ela citasse algumas referências em moda circular para quem se interessar. (E aqui está o podcast que gravamos com toda a conversa).

2 livros

“Moda com propósito”, de André Carvalhal. “Ele traz um histórico e faz um emabasamento incrível”.

Restart”, de Svinung Jørgensen e Lars Jacob Tynes Pedersen. “Li recentemente, encaminhado por uma das seguidoras da Troc. Virou uma comunidade de dicas”.

2 filmes

The true cost”. “É um clássico que conta a queda daquele prédio em Bangladesh, que foi onde começou o movimento Fashion Revolution, quando algumas vidas foram perdidas.

Unravel”. “É animal. Depois de algumas conversas com o Rony [com quem ela posa na foto que ilustra este post], fui atrás de me informar sobre o excesso de inventário. 15 minutinhos, é só conferir no YouTube. Me tocou bastante”.

2 perfis para seguir

@trocreal.  “A gente traz bastante conteúdo informativo, além de tendências. Tenho bastante orgulho do nosso time criativo, corro sempre pra conferir”.

@fashionrevolutionbr. “Traz conteúdos muito sérios e de uma forma leve, mostram também iniciativas e perguntando de onde vem minha roupa. Já a Troc pergunta “para onde vai minha roupa?””

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