Causas

‘Quem doa constrói um novo país’

Luciana Quintão, da OBA, festeja recorde na distribuição de alimentos no período da quarentena

Por 2min
22 de junho de 2020 Atualizado em 29/06/2020 às 14:48

Não há muito o que discutir: a pandemia é ruim sob qualquer aspecto. Porém, se a gente quiser olhar o copo meio cheio, uma das possibilidades já ditas por aqui foi a do aumento do número de doações feitas pela sociedade brasileira. A ONG Banco de Alimentos (OBA), parceira da Reserva no projeto 1P5P, é prova viva, e chega ao fim de junho com a incrível marca de 2.779.566 quilos de alimentos (isso mesmo, quase 3 mil toneladas) distribuídos entre 3 de abril e 21 de junho – impactando a um total de 669 mil pessoas.

– Normalmente, fazíamos a entrega de 40 toneladas por mês, via colheita urbana – explica Luciana Quintão, presidente da ONG. A colheita urbana é um mecanismo através do qual se recolhe de doadores como supermercados e hortifrútis alimentos que preservam seus valores nutricionais, porém perderam fisicamente o potencial de venda. Em vez de irem para o lixo, são retirados por equipes do Banco de Alimentos, que encaminham os alimentos para instituições.

Luciana diz que, logo no início da pandemia, o baque inicial fez com que as doações diminuíssem. Logo na sequência, ela percebeu uma demanda natural na doação de cestas básicas. Porém, mesmo esta modalidade de doação – bem-vinda, obviamente – necessita de uma logística imensa.

 

 

– Para distribuir as cestas, é necessário alugar galpão, pallets, empilhadeiras. Acaba tendo um custo alto – explica Luciana. Desde abril, a OBA distribuiu quase 160 mil cestas.

Num segundo momento, a OBA sugeriu que a entrega das cestas se desse através de cartões de alimentação. Há várias vantagens, a começar pela questão financeira: se antes era possível gastar R$ 70 numa cesta, sem os insumos já descritos o valor subiu para R$ 100. Além disso, o próprio beneficiário pode fazer a opção pela compra de proteína ou gás, de acordo com a necessidade – além do mais, a compra ajuda a girar a economia local. A distribuição se deu após a identificação de líderes comunitários que pudessem fazer a capilarização das entregas, dando prioridade a mulheres chefes de família.

– Se a gente não tirar nada de bom dessa pandemia,  vai ser pior ainda. As crises só são boas pra isso. Doar é um hábito maravilhoso, e a cultura da doação é importantíssima. Quem doa ajuda a construir um novo país. Tem que doar e cobrar – diz Luciana Quintão.

A propósito: o Banco de Alimentos continua recebendo doações diretas, além das feitas pelo 1P5P. A cada peça de roupa vendida na Reserva, 5 pratos de comida são viabilizados através da ONG, em São Paulo, e do projeto Mesa Brasil, do Sesc, em Alagoas.