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‘Grande não significa careta’

Leo Jaime fala da linha 3G da Reserva, lançada em 2013, e defende que dramaturgia seja mais inclusiva

Por 2min
25 de junho de 2020 Atualizado em 10/09/2020 às 11:11

Segundo dados do Ministério da Saúde, 55,7% da população adulta do país está com sobrepeso, e 19,8% é obesa. No entanto, apenas 5% das peças de roupa vendidas no Brasil, de acordo com a Abravest (Associação Brasileira do  Vestuário) são acima do tamanho GG (extragrande). Esses números evidenciam que a moda nacional não é feita para o tipo físico da população brasileira, mas obedece a padrões estéticos pré-estabelecidos.

Em 2013, a Reserva lançou sua linha 3G, já comunicando sua intenção de ser uma marca humanwear, isto é, voltada para seres humanos – não importa o corpo, a raça, as crenças ou a personalidade. “Você não precisa se ajustar. Somos nós que nos ajustamos a você”, como diz a campanha-manifesto Livre Pra Ser, lançada ano passado.

– Sempre me identificam com a Reserva, e muitos homens grandes ou suas mulheres apontam que gostam do meu estilo, e descobriram o 3G da Reserva como marca em que podem encontrar coisas mais estilosas e variedade – conta o cantor e ator Leo Jaime, que participou do lançamento da linha 3G e até hoje é embaixador da marca. – Ainda é difícil encontrar coisas que sirvam em algumas marcas. Percebo que os manequins nas vitrines costumam ser de números muito pequenos, e ainda ajustados para parecerem ainda mais finos – avalia Leo.

– Não existe diferença entre desenhar uma peça ‘normal’ e uma peça grande. É só uma graduação, raramente é necessário fazer adaptações – conta Igor de Barros, estilista da Reserva. – O 3G é o maior tamanho da nossa grade, então o que segue em constante estudo são as curvas que as modelagens-mãe de cada grupo de produto precisa para vestir bem e confortavelmente este corpo. Buscamos que todos nossos produtos tenham a grade completa para ofertar o mesmo leque de produtos a todos os corpos – explica.

O tal padrão de magreza, segundo Leo Jaime, não é exclusividade brasileira. Ele lembra de uma vez em que estava em Paris num dia de frio de chuva. Parou numa loja para comprar um casaco impermeável, mas não foi bem-sucedido.

– Aí descobri que o GG deles é o nosso G. Fico pensando não só nos obesos ou nos que estão com sobrepeso. E os jogadores de basquete, por exemplo? Os atletas, em geral, sejam homens ou mulheres. Pequenos ou grandes. Nos EUA é mais elástica a lista de tamanhos – afirma. – Outra coisa que tem mudado, e a Reserva é exemplo, é a noção errada de que quem é grande quer passar despercebido, ter roupas discretas que escondem seu corpo. Não necessariamente. Grande não significa careta.

Leo Jaime reforça o exemplo olímpico ao lembrar que, no alto do pódio, muitas vezes estão corpos considerados pequenos demais ou grandes demais.

– Tem gente de 2,30m Tem gente de 1,38m. Tem quem pese 150kg, tem quem pese 35kg. E estão no topo do mundo em habilidades corporais – diz Leo, que cita ainda o exemplo do personagem Batman de sua infância, que tinha uma visível barriguinha, ao contrário dos heróis atuais. – Relembre aí agora os personagens de novelas e séries brasileiras atuais. Quantos personagens gordos existem?  Reflete a vida? Ou na fantasia de todos o mundo ideal não inclui estas pessoas. Nas séries internacionais já é muito presente a diversidade. Acho que está na hora de fazermos igual – defende.