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Como fazer uma folia sustentável

Como startup, bloco Vagalume pretende escalar sua atuação para neutralizar pegada ambiental do carnaval

Por Tiago Petrik
2 de março de 2020 Atualizado em 03/03/2020 às 18:21

O carnaval deixa saudade em muito folião. Para outros, significa a semente de algo muito maior. É o caso do bloco Vagalume, o Verde – primeira agremiação sustentável do carnaval carioca.

Criado em 2005 no bairro do Horto, reuniu cerca de 80 mil foliões num desfile pela Rua Jardim Botânico, no último dia 25 de fevereiro. Depois do cortejo, uma equipe de 100 voluntários-foliões recolheu o lixo produzido.

– Levantamos a bandeira da reciclagem e da valorização do trabalho dos catadores de lixo, muitas vezes invisíveis. Fazemos arte em cima disso – conta Hugo Camarate, presidente do bloco. O barracão do bloco funciona no Galpão de Artes Urbanas da Comlurb, de forma que resíduos recolhidos nas ruas ao longo do ano são usados em adereços, fantasias e alegorias.

Desde 2013 o bloco segue as normas do ISO 120121, para gestão sustentável de eventos. Por isso, a poluição sonora, a geração de resíduos e o diesel queimado pelo carro de som serão neutralizados com o plantio de mudas. A estimativa é que 40 mudas seriam suficientes, mas ano passado o Vagalume plantou 650 árvores; este ano, a previsão é de 1.300 mudas, em três ações ainda este mês – no Arpoador, na Floresta da Tijuca e às margens do Guandu.

Como uma startup social, o Vagalume sonha ampliar sua atuação, escalando o negócio para todo o país, começando por SP e BH, que têm visto sua festa crescer a cada ano.

 

– Numa conta rápida, de cabeça, apenas para neutralizar o carnaval de rua do Rio, seriam necessárias 14 mil mudas – diz Hugo, que em 2013 largou seu emprego de produtor na TV Globo, onde estava há 11 anos, para se dedicar exclusivamente ao Vagalume, que tem CNPJ de ONG.

– Nossa intenção é funcionar o ano inteiro para acolher outros blocos que queiram produzir dentro da perspectiva de reaproveitamento de material e impacto positivo, e um dia a gente tenha um trio elétrico de verdade, sem combustível fóssil sendo queimado – afirma Hugo Camarate.

Além do aspecto ambiental, o Vagalume também se apoia no impacto de projetos sociais. Todas as fantasias dos ritmistas – este ano produzidas com sobras de tecido doado pela Reserva – são confeccionadas pela Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil (Amebras), que capacita artesãs para o carnaval carioca.

 

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