Empreender

Empreender é padecer no paraíso

Grupo de mulheres Maternativa alavanca negócios de mães com portal próprio e apoio em várias frentes

Por 2min
30 de abril de 2020

Segundo dados do Sebrae, 24 milhões de mulheres (normalmente, mães) empreendem no Brasil. Em 75% dos casos, o início se dá após a chegada dos filhos, por necessidade – já que em 45% dos casos elas são a principal fonte de renda da família.

Em 2015, duas amigas que estavam grávidas viram as portas do mercado de trabalho se fechando. Souberam, ainda em suas gestações, que não voltariam para seus empregos, mesmo com a estabilidade prevista em lei.

Decidiram criar um grupo para conversar com amigas que passavam pelo mesmo problema. Em um mês, já eram 600 mulheres, e hoje a Maternativa – o nome dado pelas mães – é a maior comunidade do Brasil focada na discussão das questões ligadas à maternidade e ao trabalho, reunindo 25 mil mulheres.

– No ano passado, fomos escolhidas como uma das cem comunidades de maior impacto no mundo, segundo o Facebook, e nos tornamos fellows oficiais da redes social no Brasil. Ganhamos um prêmio em dinheiro que nos permitiu, entre outras coisas, que a gente criasse uma plataforma onde as mulheres se cadastram para ter uma vitrine de serviços e produtos – diz Vivian Abukater, sócia da startup (na foto que ilustra este post, ela está à direita, ao lado de sua sócia Ana Laura Castro). A plataforma se chama Compre das Mães. Por conta da pandemia de Covid-19, que impactou a todos os negócios, as inscrições feitas até setembro terão gratuidade no portal.

Neste Dia das Mães, a Reserva Mini lançou uma coleção “Tal mãe, tal filho” que lembra que “mãe perfeita é a mãe possível”. A marca associou-se à Maternativa para divulgar o trabalho de empreendedoras de todo o país.

 

 

 

– A Reserva Mini procurou a gente pra ajudar no processo de divulgação desse trabalho. Ficamos muito contentes com a seleção de mulheres de dentro do Compre das Mães para impulsionar o trabalho delas – diz Vivian. – O consumo consciente é muito importante. Quando você direciona sua compra para uma mãe, você tem certeza de que ela vai usar esse dinheiro no bem-estar e no sustento de sua família.

Além da plataforma de negócios, a Maternativa trabalha em três outras frentes: apoio às mães que trabalham, sejam elas empreendedoras, assalariadas, autônomas ou funcionárias públicas; consultoria para empresas e marcas que querem falar de equidade de gênero em suas ações (segundo as estatísticas, 48% das mulheres são demitidas antes dos filhos completarem 1 ano de idade); o terceiro pilar é o ativismo pela divisão justa do trabalho não-remunerado.

– O vírus trouxe essa situação das pessoas em casa confinadas com os filhos, tendo que trabalhar no trabalho que paga as contas e ainda ter que fazer o trabalho doméstico e o de cuidar das crianças – diz Vivian. – Um trabalho que normalmente é feito pelas escolas, ou por babás, nas famílias com mais dinheiro. Então hoje todo mundo tá fazendo esse trabalho que é muito invisível e concentrado na mulher. No Brasil, as mulheres chegam a trabalhar o dobro de horas dos homens, em tudo o que se refere ao cuidado com as casas e com as pessoas, sejam crianças ou idosos – alerta.

Outro ponto de atenção da Maternativa em tempos de Covid-19 diz respeito à violência doméstica, que aumentou em todo o mundo no período de confinamento.

– Que as mulheres não fiquem caladas e trancadas com seus agressores. Tivemos um aumento da violência contra a mulher e contra a criança. Todas as violências, física, emocional, patrimonial e sexual – conta Vivian.