Empreender

Ikigai: em busca do propósito

Conheça o método que ajudou a Reserva a chegar ao 'cuidar, emocionar e surpreender as pessoas todos os dias'

Por 2min
11 de dezembro de 2020

ikigai

Qual o sentido da vida? Você provavelmente já se deparou com essa pergunta, especialmente quando relacionada à sua própria existência. E que bom se, ao acordar, você desperta com vontade de cumprir seu propósito. Se é um empreendedor, é desejável que tenha feito esse questionamento também em relação a sua(s) empresa(s). Estamos aqui por algum motivo – nós e nossos negócios.

O termo Ikigai vem do japonês, e significa “a felicidade de estar sempre ocupado”, numa tradução literal, ou “razão de viver”, numa versão mais rápida. A aplicação deste conceito na ilha de Okinawa é uma das explicações tidas como válidas para o fato de que quase 3% da população local seja formada por centenários, um número bem superior à média mundial. Sim, viver com propósito torna a vida mais leve e, consequentemente, saudável e longa. Mas, afinal, como encontrar seu Ikigai?

Como diz Rony Meisler, CEO do grupo AR&Co, “propósito não nasce em sala de reunião”. Portanto, não espere que ele surja num brainstorming que tenha por objetivo apenas confeccionar uma frase bonita para enfeitar a parede da empresa.

– No caso da Reserva, ele emergiu da prática e dos nossos valores – conta o fundador da marca, que compara a descoberta do propósito a sessões de terapia (“Você fala, fala, fala, e depois de anos descobre o que te angustia e do que você gosta”).

Há diversos caminhos para se encontrar o propósito. Um dos mais esquemáticos – chamado justamente Ikigai, que ajudou a Reserva a chegar ao “Cuidar, emocionar e surpreender as pessoas todos os dias” – traz quatro círculos parcialmente sobrepostos, com interseções. O primeiro se refere a “O que amo fazer”; o segundo, a “O que posso fazer bem”; o terceiro, a “O que posso ser pago para fazer”; finalmente, o quarto diz respeito a “O que o mundo precisa”.

A interseção entre os círculos “O que amo fazer” e “O que posso fazer bem” resulta na sua Paixão; a interseção entre os círculos “O que amo fazer” e “O que o mundo precisa” resulta na sua Missão; a interseção entre os círculos “O que posso fazer bem” e “O que posso ser pago para fazer” resulta na sua Profissão; e a interseção entre “O que posso ser pago para fazer” e “O que o mundo precisa” resulta na sua Vocação.

No centro, fica a interseção principal, que significa o próprio Ikigai, ou a sua “razão de viver” – ou, ainda, o propósito do seu negócio.

Encontrar este propósito, ou ainda a razão de viver, não é necessariamente algo tão simples. Para que o alinhamento desses círculos resulte em algo concreto, o trabalho deve ser motivado por um propósito pessoal, e seus valores individuais devem estar alinhados aos valores de sua organização. Se essa interseção estiver preenchida, naturalmente a satisfação e a produtividade estarão garantidas.

Para descobrir seu Ikigai, mãos à obra: pegue uma folha de papel, desenhe os quatro círculos e os preencha, respondendo às perguntas:

– O que amo fazer?
Aquilo que te faz acorda segunda-feira com vontade, aquilo que você tem prazer e vê valor. Seja um hobby ou atividade profissional: no Ikigai não cabem julgamentos;
– O que posso fazer bem?
Aquilo que as pessoas te reconhecem como referência, aquilo que você domina e entende a fundo. Uma sugestão aqui é perguntar para amigos/parentes pra saber o que vem na cabeça deles sobre você;
– O que o mundo precisa?
De que maneira você pode ajudar o mundo, mesmo que através de pequenas atitudes ou iniciativas;
– O que posso ser pago para fazer?
Pense em como o que você ama e é bom pode se tornar algo rentável. Qual modelo de negócio ou ideia pode sair daí? Não precisa ser necessariamente uma profissão convencional.

No mínimo terá sido uma terapia de autoconhecimento. Todos nós precisamos disso, não é mesmo?