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O corona no paredão

Edu Lyra explica projeto social que vai doar vales para 150 mil pessoas durante três meses

Por 2min
14 de abril de 2020

Edu Lyra é criador e CEO da rede Gerando Falcões, plataforma de impacto social que acelera ONGs dentro de favelas de todo o Brasil. Ele esteve na nossa quarentena de lives para falar sobre sua inspiradora experiência como empreendedor social.

– Eu nasci num barraco e vivi no barraco de chão de terra batida que não tinha banheiro nem berço pra dormir. Minha mãe me botava numa banheira pra dormir. Eu tive um pai preso no sistema penitenciário e cresci visitando meu pai no presídio, minha mãe revistada nua na minha frente nas visitas ao meu pai. Eu tinha um caminho posto pra mim, de que eu seria possivelmente seria sucessor do meu pai no crime, um traficante. Então pobre, favelado, filho de bandido, vai ser o quê? O que a sociedade vai dizer pra um cara como eu?

Mas, inspirado pela mãe (“você pode tudo”, ela dizia), seguiu outro caminho. Foi para a universidade (que acabaria abandonando), mas estudou e escreveu um livro independente, “Jovens Falcões”. Recrutou 30 jovens, treinou-os como vendedores e conseguiram vender 5 mil exemplares. A receita foi utilizada para fundar a Jovens Falcões, rede de ONGs espalhadas pelo país.

– Conseguimos conectar o centro dos negócios com a favela, e trouxemos diversas empresas, como Ambev, Motorola, Microsoft, Reserva e KPMG. Com a força econômica que a gente cria, impactamos mais de 50 mil pessoas atualmente – conta Edu.

Diante do Covid-19, sua preocupação passou a ser o “grupo de risco” formado pela população mais pobre.

– Uma vez que você tem a economia do país fechada, tem uma parcela muito grande de autônomos – pessoas que vendem o almoço pra comprar a janta –,que não têm renda fixa assegurada e precisam produzir para trazer recurso pra dentro de casa. São pessoas que saem pra fazer seus serviços e na volta passam no mercado para comprar meio quilo de arroz e leva pra família, um leite, um pão – explica.

Segundo Edu, já chegamos ao ponto de muitas famílias estarem passando fome – “uma crise de calamidade pública, uma crise sanitária e uma crise também humana”. Para combater o problema, ele criou um fundo emergencial que já arrecadou R$ 10 milhões em doações vindas de mais de 10 mil pessoas de 10 diferentes países. O dinheiro será distribuído em forma de vales para cerca de 150 mil pessoas, cadastradas por ordem de vulnerabilidade social, ao longo de três meses.

– Essas cestas básicas digitais serão entregues em geral pra mãe da família, que tem o papel de gerenciamento econômico. Essa família faz a compra num negócio local, mensalmente fazemos uma recarga no valor de R$ 100 pra que essa família possa se alimentar. Um trabalho em escala, com tecnologia, e todo esse recurso vai ser auditado pela KPMG – diz. Ao entrar no site, um painel já deixa evidentes as ações. Cerca de 200 voluntários estão engajados na entrega, em 170 favelas de 14 estados brasileiros.

Para fazer sua doação ao Corona no Paredão acesse este site.

 

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