Empreender

Pense como uma startup

Renato Mendes e Ricardo Rocha defendem operação com a lógica de ajuste e aprendizado até ganhar escala

Por 2min
16 de abril de 2020

A quarentena de lives da Reserva reuniu na última quarta (15/4) dois especialistas digitais. Renato Mendes, ex-Netshoes, criou a consultoria Orgânica e, a partir dela, uma aceleradora de startups; Ricardo Rocha é CEO da Softbox/LuizaLabs, laboratório de inovação do Magazine Luiza. Eles defendem a aplicação de um raciocínio de startup para negócios que, de um dia para o outro, viram-se obrigados a migrar sua operação para o digital.

Renato Mendes definiu a crise atual como “única” – e olha que estamos falando, como ele disse, do “Brasil, campeão de crise econômica”.

– Mas essa é uma crise de saúde com consequência econômica. O que tenho percebido é que as pessoas estão em busca de uma normalidade que nem vai existir mais – afirmou, ressaltando que o próprio uso de ferramentas digitais é uma busca por essa normalidade perdida. – Muitas marcas não estavam prontas pra isso, mas é uma grande oportunidade para as empresas se digitalizarem na marra – disse.

Ricardo Rocha, corroborando a afirmação, deu o exemplo de um dos processos em que vinha trabalhando há um ano e três meses: o Parceiro Magalu teve seu lançamento acelerado. Na plataforma, o Magazine Luiza disponibiliza espaço para pequenos empreendedores que desejam aumentar sua renda. A previsão era de que o projeto fechasse o trimestre com 150 lojistas, mas há duas semanas bateu a marca de 10 mil.

– A grande frustração do lojista é que ele abre um site e não tem tráfego de pessoas, não tem passantes como tem numa loja física. Ele precisa de uma estratégia de Marketing Digital para gerar o tráfego. Meu propósito pessoal é de impulsionar pessoas. Sempre que eu posso compartilhar, não meço esforços pra estar junto – disse Ricardo.

O sócio da aceleradora Orgânica, que investe em startups Young stage, concordou que, tão importante quanto colocar dinheiro nos novos negócios é oferecer expertise. Nesse sentido, ele acredita que começar do zero um e-commerce não será solução.

– Faz muito mais sentido a gente se apropriar de plataformas existentes, como Whatsapp, Facebook, Instagram. É a hora de experimentar e aprender – avaliou. – O que não pode agora é ficar parado. Uma mudança de atitude é entender que estamos numa época de adaptação – lembrou, com raciocínio de startup: “tem que ser simples e rápido, vai começando a fazer, depois vai melhorando, aprendendo, otimizando, operar sempre com a lógica de ajuste e aprendizado”.

No mesmo sentido, Ricardo Rocha sugeriu que se faça um investimento em test drives ou amostras grátis dos produtos, para que as pessoas possam experimentar e retornar em compras, estabelecendo também uma métrica, algo quantitativo, para criar rotina e disciplina no cumprimento de metas.

– Por um tempo você vai precisar forçar um comportamento pra que ele vire um hábito. Como uma academia, uma dieta, e assim será com todos os hábitos que você quer adquirir – comparou.

 

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