Empreender

Por mais poetas nos negócios

Co-fundador de clube de livros com 55 mil associados torce por empreendedores com ideais

Por 2min
16 de outubro de 2020

Meu lado otimista quer crer que a leitura tem penetrado mais fortemente na vida das pessoas, especialmente como resposta ao momento em que vivemos.

 

Arthur Dambros é co-fundador da TAG – Experiências Literárias, clube de assinatura de livros pioneiro no Brasil. Fundado em 2014, conta com 110 colaboradores e 55 mil associados ativos, espalhados por mais de 2.300 cidades de todos os estados brasileiros. Com apenas seis anos de existência, a startup já recebeu o Prêmio Empreendedor do Ano 2017 da revista Pequenas Empresas Grandes Negócios e, em 2018, foi reconhecida internacionalmente com o renomado Quantum Publishing Innovation Award, na London Book Fair de 2018, como a inovação do ano no mercado mundial do livro. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Arthur atua hoje como vice-presidente na TAG – Experiências Literárias, tendo como missão levar a literatura para a vida de cada vez mais leitores e transformar em leitores cada vez mais pessoas, acendendo a paixão pelas histórias e pelos livros. Ele é um dos palestrantes confirmados no festival O que o futuro (do varejo) nos Reserva?, que acontece de 26 a 30 de outubro (as inscrições estão abertas), e neste papo com 2min, adianta algumas de suas percepções. 

Para surpresa de muitos, o setor de livros vendeu mais durante a pandemia. A que atribui esse resultado?

Do que sei, houve um aumento recente impulsionado pelo e-commerce, como aconteceu em diversos outros setores. Infelizmente, porém, do que eu saiba, o acumulado do ano ainda está pior que 2019, que já não foi um ano bom. Então penso que seja, infelizmente, apenas um pico de vendas em uma tendência geral de baixa do mercado como um todo, até pelo horizonte recessivo. Mas tomara que essa análise esteja errada. No fundo, meu lado otimista quer crer (e trabalha para isso) que a leitura tem penetrado mais fortemente na vida das pessoas, que buscam formas de viajar sem sair de casa e de cultivar hábitos saudáveis, especialmente como resposta ao momento em que vivemos.

Em relação ao negócio do clube de assinatura, qual o segredo para manter a pessoalidade na escolha dos títulos?

O segredo é tentar se equilibrar entre o diferente com o conhecido. Ou seja, arriscar o suficiente para que o leitor se surpreenda e sinta que está conhecendo livros fora de sua zona de conforto, mas não tanto a ponto de os livros caírem fora de sua zona de interesse. Para isso, temos uma ótima equipe de produto que, além do contato qualitativo com nossos associados, usa dados para entender quais livros têm maior potencial de irem bem.

O que o futuro nos Reserva?

Se alguém souber, me conta! Brincadeiras à parte, tem uma frase do Rubem Alves que gosto muito: “os profetas não são visionários que anunciam um futuro que está por vir. São os poetas que projetam um futuro que pode acontecer”. Se, na literatura, o sofrimento produz poesia, talvez nesse momento, nesse nosso mundo em crise, consigamos produzir alguns poetas, ou seja, não pessoas que vão prever para onde as coisas vão, mas para construir ações, empresas, ideias que, com sorte, poderão desenhar nosso futuro daqui em diante. Espero encontrar algumas delas no festival!

Qual sua expectativa para o festival?

A expectativa é a de levantar a cabeça e ver o que está acontecendo a minha volta, fugir um pouco do looping do dia a dia e conhecer outras pessoas e empresas que também estão construindo histórias legais e aprender com elas.

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