Empreender

Saúde aos bares e restaurantes

Setor estima ter perdido 1/3 das vagas formais, e parte em busca de inovação para superar a crise do coronavírus

Por 2min
7 de Maio de 2020

Antes do coronavírus, o setor de bares e restaurantes seguia com um crescimento anual em torno de 10%. Com a crise sanitária e econômica, mesmo com permissão para funcionar em sistema de delivery, foi um dos mais afetados por ela. Segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), em todo o país já são 1 milhão de empregos a menos, desde o início da quarentena. O número corresponde a um terço dos trabalhadores formais do ramo (o número de informais também era de 3 milhões antes da crise).

Esta semana, na programação de lives da TV Reserva, Antônio Carlos Laffargue, o Toninho do Bar do Momo, e Bruno Magalhães, do Botero Bar – ambos sócios do bar Liga dos Botecos – debateram o tema. Para eles, a união já tem feito diferença.

– As pessoas e empresas precisam se juntar pra sair dessa juntos – avaliou Bruno.

–  Precisamos cada vez mais nos abraçar para passar por isso. Quem não tiver essa cabeça acho difícil conseguir sobreviver. Vamos abrir mão de muita coisa, de porcentagens, lucros etc – disse Toninho.

Além das medidas protetivas tomadas pelo governo – MP 936 e linha de crédito via BNDES (um abaixo-assinado tem circulado pedindo a ampliação delas) –, o setor tem contado com auxílios como o da Ambev, que está oferecendo R$ 50 em consumo a quem se dispuser a adiantar R$ 50 para os bares e restaurantes, para usar depois da pandemia, através da marca Stella Artois.

A ação, batizada de Apoie um Restaurante, já vendeu mais de 100 mil vouchers em mais de 3.500 estabelecimentos. Via Bohemia, o Ajude um Boteco já arrecadou quase R$ 3 milhões (o total do socorro disponibilizado pela Ambev na crise é de R$ 110 milhões). A mecânica é a mesma: o cliente paga agora e consome o dobro até o fim de 2020, quando a rotina voltar ao normal.

– Não sofremos desconto nenhum, o desconto da compra pelo cliente quem banca é a própria Ambev. Para o cliente vale super a pena, é quase um investimento – afirmou Bruno.

Mesmo passada a quarentena, é possível que o novo padrão de comportamento faça com que bares e restaurantes permaneçam vazios por um longo período ainda. Por isso, reinvenção é uma palavra de ordem (a propósito, o Sebrae lançou o curso Alternativas para Bares, Restaurantes e Afins em tempos de crise).

– Não chega a ser uma novidade porque estamos sempre nos reinventando. Não sei o que virá, mas sei que vamos conseguir lidar da melhor forma com o que virá – disse Bruno, preocupado com estimativas de 50% de quebras do setor até o fim do ano.

– Muito mais do que esperar a oportunidade, temos que pegar o caminho avesso e entender como funciona para os nossos colaboradores. Entender como as pessoas que trabalham com a gente enxergam isso tudo, como coloca-los nas discussões. Temos que pensar no coletivo e saber melhorar para todos – defendeu Toninho.