Futuro do varejo

Muito além da venda

Dominique Oliver, da Amaro, destaca que propósito e valor nunca foram tão importantes como neste 2020

Por 2min
22 de outubro de 2020 Atualizado em 28/10/2020 às 08:03

Nunca foi tão importante uma conexão real com o seu consumidor, ficou evidente a necessidade de as marcas irem além da venda e criarem um verdadeiro vínculo com o seu cliente

 

Dominique Oliver é o fundador e CEO da Amaro, a maior marca de moda direct-to-consumer na América Latina. Ele iniciou sua carreira em investment banking em Nova York, onde trabalhou em diversas reestruturações de grandes empresas, incluindo no segmento de moda e varejo. Dominique é formado em Economia e Relações Internacionais. Nativo de Zurique, Suíça, passou 8 anos nos EUA e vive em São Paulo desde 2012. Ele é um dos palestrantes confirmados no festival O que o futuro (do varejo) nos Reserva?, que acontece de 26 a 30 de outubro (inscrições abertas), e bateu este papo com 2min:

Que estratégias a Amaro adotou para o período de pandemia?

Pelo fato de a Amaro ser uma empresa digitalmente nativa, nós tivemos algumas vantagens como já ter um e-commerce forte com uma excelente experiência para as clientes. Porém, mesmo tendo essa presença online, foi preciso repensar alguns aspectos de maneira muito rápida para nos adaptar ao momento atual, desde a comunicação até canais de venda e oferta de produtos. Na comunicação, tivemos que repensar todas as histórias em tempo recorde. Somos uma empresa customer centric, prezamos pelo nosso diálogo diário com as clientes, manter uma campanha comercial naquele momento não era uma possibilidade para nós. Depois tivemos que repensar os canais de venda. Com as lojas físicas fechadas, foi preciso diversificar os canais, e uma das soluções veio através do WhatsApp, que se mostrou um canal com uma ótima aceitação. Por fim, também foi preciso ajustar o sortimento do site, pois já não fazia sentido o salto alto, a calça justa ou a jaqueta de couro, e esses itens deram espaço para uma coleção baseada em peças mais confortáveis, porém igualmente estilosas.

Como os aprendizados surgidos neste período vão ajudar daqui pra frente?

Vivemos meses intensos esse ano, que com certeza deixaram muitos aprendizados. Indo além do óbvio, como as tendências que foram aceleradas (transformação digital, consumo online, home office, etc), gostaria de falar de alguns “achismos” que foram validados. Nunca foi tão importante ter uma conexão real com o seu consumidor, ficou evidente a necessidade de as marcas irem além da venda e criarem um verdadeiro vínculo com o seu cliente, trabalhando de maneira transparente o valor e propósito da marca. O mesmo é válido para dentro da empresa, foi essencial ter uma liderança efetiva, transparente, com inteligência emocional e próxima dos colaboradores – na Amaro passamos a fazer uma pesquisa quinzenal sobre “como a liderança está lidando com a crise”. Por fim, ficou claro a importância do poder de adaptação e capacidade de se reinventar.

O que o futuro nos Reserva?

O futuro me intriga e ao mesmo tempo me deixa animado. Na Amaro, por exemplo, sinto que já percorremos um longo caminho, mas que ainda estamos no começo desse jogo – é algo que não tem barreiras nem ponto de chegada. Com certeza esse ano foi um divisor de águas, com todas as mudanças de paradigma e mindset que vivenciamos, e se aliarmos isso aos avanços da tecnologia, é algo muito rico e que proporciona verdadeiras mudanças na sociedade – seja na forma que ela interage, consome, se comporta ou evolui.

Qual sua expectativa para o festival?

Para mim, informação compartilhada é sinônimo de transformação e poder. Acredito que o futuro do varejo já está acontecendo, mas não adianta ele acontecer em um local concentrado. Eventos como o festival ajudam a disseminar informações, acelerar a transformação e furar essa bolha que ainda existe. Parabéns pela iniciativa!