Limonada

‘A primeira questão é gente’

Bernardinho diz que primeira preocupação tem que ser com as pessoas, e afirma confiança no futuro

Por Rony Meisler
26 de março de 2020 Atualizado em 30/03/2020 às 09:55

Dando sequência à live de quarentena da Reserva , nesta quarta-feira (25) bati um papo com o amigo e ídolo Bernardinho. Separei aqui alguns dos melhores momentos da nossa conversa, pra quem perdeu. E se liga no Instagram pra ficar por dentro das próximas que virão por aí.

Como estão as coisas aí?

É um momento de adaptação, mas de grande oportunidade de autoconhecimento, de crescimento, de buscar áreas de interesse da gente. Os termos que eu uso, que mais do que nunca são atuais e prementes, são disciplina e resiliência. Disciplina pras rotinas do dia a dia, disciplina pros processos, cuidar das pessoas pra que elas sejam disciplinadas no dia a dia delas. Disciplina absoluta em todos os lados, nesse início. Porque vai passar, essa é uma das certezas que nós temos. É um golpe? É um golpe, mas vai passar.

Nova vida é composta de 3 vetores: físico, mental e espiritual. Eu tenho buscado meditar por 20 minutos por dia, buscar tranquilidades, lucidez, afastar os ruídos externos. Manter as atividades físicas, pelo menos 1h por dia, tentar organizar a alimentação também. Temos tido a oportunidade de ouvir pessoas bacanas, de estar lendo livros, se organizar, buscar cursos online, conteúdos bacanas. É o momento de disciplina, dizer não pro que você não tem que fazer e sim pro que tem que fazer.

O que você acha que seu aprendizado com esporte ajuda num momento como esse?

Eu costumo dizer que o empreendedor brasileiro é atleta de esporte de resistência e não de curto prazo. É resistência, a proposta do esporte e do empreendedorismo é muito semelhante, é gente, é propósito maior. Estamos numa dificuldade enorme agora mas dependemos da nossa gente. É jogar como o Brasil, como o grande empreendedorismo das nossas vidas pra que dê certo, pra que as coisas aconteçam a gente tem que pensar nisso, na nossa gente, em todos os aspectos. Tem que pensar na saúde, mas em como manter essa saúde. É momento de lucidez para um debate bacana, é hora de eliminar os ruídos, focar, se juntar com pessoas que você acredita, se juntar com pequenos empreendedores, levar abastecimentos pros menos favorecidos, se você acredita nisso, se engaja nisso. A primeira questão é o isolamento, mas aí vem a pergunta: por quanto tempo? A minha única convicção é que vai passar.

Você, como empreendedor, como está lidando com essa crise?

A primeira coisa é que nós chegamos onde chegamos por causa das pessoas que fomos trazendo pra dentro, que estão remando com a gente, que passaram por tempestades anteriores conosco. O primeiro momento é: como vamos cuidar das pessoas? Estão protegidos? Entraram em quarentena. Porque são eles que vão nos ajudar a retomar a história, lá na frente é com eles que eu conto,  É eles que quando voltar vão chegar mais cedo e voltar mais cedo. Existem dois modos que precisam estar interligados. O primeiro é o learning mode, é o aprendizado, aprender sempre.

O segundo é o modo crise: vamos no manter enxutos, ágeis, sem as gorduras desnecessárias, o dinamismo do negócio, a possibilidade de adaptação à mudança. Não são os mais fortes que vão sair grandes daqui, são os que se adaptam mais rapidamente. Muita coisa vai mudar. A primeira questão é gente, e a segunda é o produto, mostrar que continuamos produzindo de maravilhoso, e o terceiro é o resultado. Nós temos que pensar nisso obviamente dentro do prazo, mas não pode ser prioridade 1 aqui.

São nos momentos como esses que se separaram as grandes lideranças das lideranças menos fortes. As lideranças têm que se unificar. Nós temos um único objetivo: sair mais fortes disso tudo.

Nos Jogos do Rio, em 2016, nós tivemos um momento no vôlei que, se perdêssemos na semifinal pra França, nós ficaríamos em 9º lugar. Nós no unimos e nossa luta era uma só: a luta pela sobrevivência ali, a sobrevivência nos faz encontrar força de onde não sabíamos. Nós vamos unidos por um só objetivo e ganhamos.  Neste momento nós temos que estar preocupados com as pessoa que fazem parte do nosso dia a dia. Aquela moça que vende água de coco, onde que ela tá? Será que consigo trazer o coco dela pra casa?  São as pequenas coisas, a gente tá preocupado com essa pessoas, que fazem parte da nossa vida, nosso dia a dia, isso é importante, nos faz bem. Vamos cuidar das nossas pessoas por aí. Temos que pensar muito em tudo mas é um momento de crescimento enorme pras pessoas.

 

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Qual foi maior momento que você transformou o limão em limonada? 

Nas Olimpíadas de Moscou, em 1980, eu tinha 19 anos, lutando pra conseguir um lugar, e eu torci o joelho. Precisava operar o menisco, e ali no momento disseram que tinha acabado pra mim. O sonho olímpico tinha ido embora, e eu pensei: “quem é que disse que acabou? Vamos tentar!” Eu levei uma bola de levantador pro hospital, que é uma bola um pouco mais pesada pra treinar. Eu ficava treinando com a bola na parede do hospital. Ia pro Fluminense, onde eu jogava, levava um colchonete e ficava o dia inteiro lá, me recuperando, treinando, recuperando, treinando. Voltei em 29 dias e entrei nas Olímpiadas. Ali eu aprendi que a única e principal coisa que vai me levar onde eu quero chegar é a disciplina. Eu coloco tudo que eu tenho dentro de mim à disposição daquele projeto. Nós estamos aqui pra fazer, esse é o momento empreendedor, o empreendedor pega os gargalos e encontra os caminhos. Quando alguém fala: “Bernardo, vamos ali fazer um negócio?” Primeiro eu pergunto com quem eu vou, e aí digo “tamo junto”. Primeiro quem, depois como, porque com o quem certo você vai encontrar o como. Vamos treinar nossa rotina esses dias, se você é religioso ore todo dia, leia todo dia, no mínimo 10 páginas, se obrigue a isso, deixe o celular de lado por 1h, 2h hora, mas treine para isso não virar um vício, é uma ferramenta e não um vício, se você quiser você vai melhorar.

Que livros você recomenda para este momento?

As cartas de Bezos – 14 princípios para crescer como a Amazon”, de Steve Anderson e Karen Anderson

Juntos somos melhores”, de Simon Sineck.

Empatia”, de Jaime Ribeiro.

Princípios pra o sucesso”, de Ray Dalio.

E que perfis para seguir?

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Vamo que vamo!