Limonada

Junior & Sandy & Empreendedorismo

[Contém spoiler] Rony Meisler: "série é sobre a incansável, sofrida e fantástica busca de Junior por seu propósito"

Por Rony Meisler
29 de julho de 2020

Pode até parecer que a série “Sandy & Junior: Nossa História”, recém-lançada na GloboPlay, é sobre a carreira da dupla, mas quem possui o mínimo de sensibilidade perceberá que não é.

A série é principalmente sobre o Junior e sobre a sua incansável, sofrida e fantástica busca pelo seu propósito.

A real é que o Junior sempre foi um puta de um artista, mas a mídia e a sociedade o julgaram mal demais.

“Julgavam minha sexualidade e até disseram que eu tentei me matar quando eu apenas havia cortado meu dedo com um apontador. Mas o que mais me machucava era ouvir que eu era uma sombra da minha irmã. Poxa, eu me dedicava de corpo e alma para aquilo. Me lembro que eu passava horas estudando e tocando bateria trancado no meu quarto, e que eu fazia aquilo movido pela raiva” (Junior).

E então (minha opinião) o Junior encheu o saco daquilo tudo e eles encerraram a dupla.

Depois disso, por quase 10 anos o cara buscou de todas as maneiras seu propósito; tocou de punk rock a eletrônico, em barzinhos e festivais, mas apesar do enorme talento, seguia sem o merecido reconhecimento público e o real entendimento do que queria para a vida.

Até que o pai, Xororó (diga-se de passagem: que ser humano fantástico) propõe que eles façam uma turnê nostálgica e linda para os fãs que, 10 anos após o encerramento da dupla, já eram adultos.

Parecia uma loucura, e o Junior a princípio não queria. Mas, motivado pela família, decidiu fazer. E então, BUMMMMM! A mágica acontece e a bilheteria explode de tanto vender.

Pois bem, a Fe e o Rao convidaram eu e a Anny em novembro do ano passado para irmos ao show da dupla.

Quando terminou, me lembro de comentar com a Anny (sem saber dos fatos aqui anteriormente narrados): “O Junior jantou esse show. O show é dele. Como ele é bom!”. Diga-se de passagem: eu era um dos babacas que até então considerava o cara apenas uma “sombra” da irmã.

 

 

O documentário mostra a tour com muita ênfase no show final, para 100 mil pessoas, na Cidade do Rock. Arrepiante. Eu estava lá. Não sou um grande fã da dupla, mas foi um dos melhores shows de pop rock que já vi na vida. E, novamente: o Junior jantou o show.

Tudo isso pra dar spoiler do final do doc e acabar o artigo com a sua necessária lição empreendedora. Abre aspas para a Sandy: “Eu me lembro que em um determinado momento da tour, eu li em um site que o show era do meu irmão, e eu era apenas uma sombra dele. Me arrepiei e pensei: ‘Pode levar toda uma vida, mas a justiça se faz e o reconhecimento vem para o verdadeiro artista’.”

E completo abrindo aspas para o pai, Xororó, e co-fundador desta empresa tão bem-sucedida: “A Sandy a cada dia melhora artisticamente, e sua carreira solo vai continuar a crescer após esta tour. Já o Junior eu sempre soube onde era o lugar dele,  mas ele parecia não querer lembrar. Nesta tour, ele se reencontrou com ele mesmo. Ele se divertiu fazendo o que ama, e por isso foi feliz novamente.”

Resumo da ópera, filho(a):

Empreender vai doer. Você vai treinar loucamente. Vai lutar fortemente, mas vão te bater, vão te ofender e humilhar, mas quando você ama o que faz, quando você se dedica com disciplina e está bem acompanhado por quem te respeita e quer bem, eu te garanto: pode levar 5-10-20-30 anos, mas insista, caia, levante e ande, porque o bem, meu caro(a), sempre vencerá.

OS: Estive no backstage dos dois shows, e em ambos lá estava o Junior misturado e comemorando com o staff da produção, com simpatia e enorme humildade. Aula.

*Este post marca o início da minha colaboração com os fodas do @alemdafacul.