Limonada

O modelo Sexy Canvas

Uma conversa com André Diamand, que criou uma metodologia que permite um posicionamento de marca diferente

Por Rony Meisler
26 de agosto de 2020 Atualizado em 28/08/2020 às 08:27

Esta semana conversei, via live do Instagram, com André Diamand, gênio do Branding, do Posicionamento de marca, futuro prêmio Nobel – anotem o que estou falando, porque o cara é brabo. Geek clássico, ele é um cara de produto de tecnologia, um hacker.  E inventou uma metodologia que permite que qualquer empreendedor ou gestor consigam posicionar sua marca de um jeito muito diferente. Pra isso ele usa os 7 + 1 pecados capitais. O nome da metodologia é Sexy Canvas.

O que a gente faz na Reserva em termos de posicionamento de marca sempre foi muito intuitivo e empírico, e a gente não tinha um framework pra seguir. Ele teve a genialidade de conseguir observar marcas do mundo todo e conseguir enquadrá-las dentro de um framework tão fácil de explicar e tão fácil de pensar que toda e qualquer empresa consegue aplicar.

Nunca vi nada parecido, as pessoas com que eu cruzo que já usaram o método dizem que é foda, imperdível. Em setembro uma nova turma da Sexy Canvas Academy vai abrir.

Mas, afinal, o que é o Sexy Canvas? Segue abaixo um resumo do que disse o André:

“O Sexy Canvas é o resultado de anos de frustração e raiva de ver o mercado da criação de produtos, serviços e marcas acontecer todo na intuição. E quando isso acontece, só caras geniais como Steve Jobs, Ellon Musk e Rony Meisler conseguem chegar lá, porque eles sentem uma coisa, uma energia além do alcance.

Isso dá uma sensação de impotência, quando você vai criar um negócio, do tipo: ‘a chance de eu falhar vai ser enorme, provavelmente vou gastar dinheiro, vai ser foda, mas vamos lutar’. Essa é a energia do empreendedor, não apenas brasileiro. Quando falo de marcas, isso vale pra quem tem um canal no YouTube e pra quem tem uma padaria, vale pra qualquer um que tenha clientes humanos.

Essa insatisfação tinha muita base, porque eu via muita teoria de Marketing, teoria de gatilhos de copy, como fazer seu cliente comprar uma coisa, fala que tá acabando, e via que tudo que já tinha sido estudado sobre encantar clientes não conseguia juntar tudo o que era necessário.

Em pleno século 21, com o homem indo pra Marte, e a gente com altas tecnologias de inteligência artificial, e nós que somos do mundo das startups – eu fui presidente da Associação Brasileira de Startups -, nós que somos os mais inovadores do mundo, não tínhamos nada a não ser a intuição, a tentativa e erro. “Joga o produto pro mercado, vê o que o cliente dá de feedback, depois a gente vê”. Não tinha uma teoria que, antes de ir pra rua, você pudesse prever o que teria mais chance de ter sucesso ou de ter fracasso.

O Canvas é uma folha de papel que tenta reunir tudo num lugar só, com 14 itens. Basicamente são os 7 pecados capitais e, do outro lado, os 7 itens da criança interior (amor, curiosidade, diversão, liberdade, pertencimento, recompensa e segurança). O que você coloca aqui são as emoções humanas e as sensações que isso provoca no ser humano. O Sexy Canvas da Reserva, do iPhone, da Coca, não é do produto, mas do que ele causa no ser humano.

Resumir em 14 itens tudo o que você precisa pra eletrificar, criar paixão, desejo – e topem até pagar a mais por isso – é de empolgar. Já testei com 1500 alunos que minimamente estão mudando de vida – porque o Sexy Canvas também funciona para pessoas físicas. É inovador e 100% brasileiro.

Tem gente que diz: “caramba, entendi tudo o que aconteceu na minha vida. Toda vez que uma menina terminou comigo, que fui demitido ou que dei certo”. Instagram, Netflix, Tiktok, tudo o que o humano ama pode ser mapeado aqui. Se você tem uma loja que não está bem, você consegue olhar no Canvas por que não está bem e, claro, preencher os quadrados que estão faltando para ficar bem.

A Reserva, por exemplo, nos dá uma cerveja gelada quando vamos à loja, análogo ao que o Uber fazia quando nos dava uma aguinha gelada. Isso mexe com a gula. “Mas André, eu não vou na Reserva comprar porque me dão uma cerveja”. Você não tá entendendo: é o pacote completo. A gula está no cérebro reptiliano, aquele mais basal do bicho homem. Então uma água no Uber, uma cerveja na Reserva, e aquele cheiro na Reserva, tudo isso vai mexendo com os cinco sentidos.

 

 

Tem uma história interessante que o Steve Jobs dizia que se parasse pra ouvir o que os clientes queriam, eles diriam: ‘ah, quero um notebook com a tela maior, a bateria mais duradoura, na cor rosa’. O cliente é muito bom pra inteirar produto. Por exemplo: já tem o Uber funcionando. E ele fala: ‘O Uber podia levar também cachorro’. “Opa, boa ideia, vamos anotar, Uber Pet”. O cliente também não é bobo, sabe o que gosta. Mas pra criar o novo Uber, a nova Reserva, ou um produto disruptivo como foi o iPod ou o iPhone, o cliente não é bom.

Minha história é a seguinte: vendi minha empresa e fiquei milionário. Não fiquei nenhum Elon Musk ou Rony. Depois disso, quando resolvi criar o método pra entender o que eletrifica a cabeça das pessoas, a primeira coisa que fui estudar foi Freud. Depois Jung, Lacan.

Legal, gostei. Depois estudei todos os filósofos, porque eles estudavam o que deixava o homem feliz.

Depois estudei História, Religião, Esoterismo, sem contar outras ciências por aí também.

E o que eu percebi?

Muitas áreas me deram muitos inputs, mas a mais importante – e por isso se chama Sexy Canvas – foi a teoria da sexualidade de Freud. Em resumo, ele falava que tudo que move o humano é a força libidinal.

Freud dizia que nossa cabeça é dividida entre id, ego e superego. O id é basicamente o bicho-homem.

Do outro lado, Freud fala do controle desse animal homem, e quem faz esse papel é o superego. O ego fica no meio do caminho, faz o meio-campo, e não nos importa agora.

Mas então o humano que eu quero encantar é dividido entre “bicho” e “controle do bicho”. Comecei a ver dicas da natureza – estudei bastante Charles Darwin também –, que diz que para uma espécie prosperar, é preciso haver muito cruzamento, muita transa. Isso vale pra ervilha também, não vamos sexualizar tudo. Quanto mais uma espécie cruza, maior a chance de ela evoluir. A teoria da Evolução é isso.

Então comecei a focar em tudo o que deixa o cliente se sentindo fodão, e também com luxúria. Comecei a aplicar em tudo, e pensei: ‘Freud não tava errado’. Aí achei que era só colocar Freud nas startups, que Freud explicaria o McDonald’s. Mas comer batata frita não deixa ninguém se sentindo transante. Voltei pra prancheta e cheguei aos 7 pecados capitais.

Fui procurar o que, nos últimos séculos, foi mais importante no controle do id. Percebi que foram as religiões, e os 7 pecados capitais é tudo o que falam pro bicho-homem não fazer porque é feio. Fui fazer o teste com o McDonald’s, que não tinha funcionado só com Freud. E McDonald’s é a gula, misturado com a avareza, já que é um lanche barato, misturado com preguiça, porque é rápido, você não precisa lavar a louça. Pensei: “começou bem esse teste aqui”.

O capitalismo é muito baseado na inveja e na vaidade. O mecanismo elétrico que faz as pessoas comprarem um iPhone é a inveja e a vaidade.

Aí resolvi aplicar a teoria para um “cachorro fofinho”, e não rolou. Aí percebi que teria que acrescentar a criança interior – que, aliás, se aplica muito ao McDonald’s também.

Se você tem um business, você tem que ter algum tipo de eletrificação. Se você tem zero, dificilmente será lembrado.

Um banco de sangue na Suécia teve a seguinte sacada, a custo zero: daqui a cinco meses, quando precisaram usar da bolsa de sangue que você doou, a pessoa recebe um SMS, ou whatsapp, falando: “querido Rony, muito obrigado, hoje seu sangue salvou a vida da Rebeca. Volte sempre”.

Mexe com vaidade, amor e pertencimento (da criança interior). Doar sangue é chato. Mas imagina você está num dia no seu trabalho e chega uma mensagem dizendo que você salvou a vida de alguém? Você virou um super-herói, você virou um foda, e um foda do bem. Isso fez o banco de sangue bombar.

O Sexy canvas pode servir pra RH, Marketing, produtação, tudo o que encoste no humano. Mas as duas principais funções são estourar o crânio do empreendedor e a mudança do produto, da experiência de abrir a caixa do produto.”