Limonada

O que Reserva e Google têm em comum?

As duas empresas têm 'cult like culture', as pessoas amam trabalhar nelas. E isso tem um poder imensurável

Por Rony Meisler
14 de outubro de 2020

Todos sabem que a Reserva pensa diferente. Principalmente no que diz respeito a gerir gente. Tanto é que aqui o departamento não se chama “Recursos Humanos”, se chama “Fontes Humanas”, e dentro dele tempos o departamento de Felicidade. Que nada mais é que o departamento de Endomarketing.

E por que a gente criou esse departamento? Antes de trabalhar aqui – e já tem um tempinho que eu tô aqui trabalhando –, eu pensava que eu adoraria trabalhar no Google. Eu sou fã do Google. E quando eu vou fazer uma busca, eu entro no Google. Eu acho que se a gente cria um “cult lik culture” dentro da própria marca, se as pessoas amarem trabalhar aqui, elas vão contar pros seus amigos que amam trabalhar aqui. Por conseguinte, um monte de gente vai querer trabalhar aqui, e vamos vender mais.

As pessoas vão admirar a marca, vai ser um “cult like brand”, e por consequência a gente vai vender mais. É ganha-ganha-ganha-ganha. O capitalismo consciente prega isso. Você tem que trabalhar sua política de transparência, de governança, de gestão de gente, sócio-ambiental, pra que seja sustentável, pra que isso retorne. Se não, na primeira revisão orçamentária vai ser cortada a iniciativa, se ela for somente marketing. Então ter que ser sustentável.

Lá atrás, a gente ia fazer nossa primeira convenção de vendas. Estou falando de 2010. Seria uma grande convenção. Eu tinha acabado de casar, estava morando com a Anny, e queria fazer um vídeo com o tema da coleção, Cuba Libre. O tema era a felicidade cubana, apesar de cerceamento de liberdade, uma dicotomia. A gente tinha acabado de viajar pra Cuba, e eu tive uma ideia meio doida, como algumas que eu acho que a gente já teve aqui.

Naquela época, tinha acabado de viralizar um grande meme na internet, talvez um dos primeiros da internet brasileira, da Luisa Marilac. “Se isso é estar na pior, porram, o que é que estar bem?”. Tive a ideia de fazer um filme numa banheirinha que a gente tinha dentro de casa, eu fiz um mojito e mergulhava, convidando as pessoas pra convenção que ia acontecer. A Anny teve a brilhante ideia e gravou. Minha mulher é uma gênia, maravilhosa, e a gente teve que gravar aquela porcaria umas 70 vezes, porque ela caía no chão de tanto rir. Toda vez que eu mergulhava e passava a mão no cabelo, ela se cagava.

Gravei e mandei pra nossa turma. O pessoal riu pra caramba. E começou um compartilhamento a ponto de virar um meme. A marca era pequena, tinha uma ou duas lojas. E percebi que aquilo tinha um poder muito grande. Quando a gente comunicava as coisas de maneira irreverente e verdadeira pras nossas pessoas, elas divulgavam. Elas contavam pros outros. É o poder das pessoas apaixonadas pela marca. Ali nasceu o que a gente chama de Dia de Reserva. Não é convenção.

Ali nós premiamos as pessoas por tudo o que fizeram dentro do semestre e dentro do ano. E a gente investe nesse projeto. Hoje pouco mais de 1% do nosso faturamento bruto vai pra publicidade. E mais de 2% do nosso faturamento vai pra endomarketing, porque não há nada mais poderoso do que nossas pessoas divulgando nossos projetos, valores e produtos.

 

 

Não há nada mais valioso do que você fechar o Maracanã, como nós já fizemos, ou uma ilha, como também já fizemos num Dia de Reserva, botar essas pessoas no meio do palco, com chuva de prata, faz um Arquivo Confidencial das vidas deles, no telão do Maracanã, vem a família toda, chora. Olha o valor de pertencimento, olha o valor de entrega da Reserva. A gente faz a família perceber o quão valorizada a pessoa é por trabalhar aqui.

No Dia de Reserva, são mais de 200 mil menções em redes sociais com hashtag. Se você for buscar aí, vai achar milhões de menções e fotos desse evento.

E o que eu aprendi me fantasiando de Luisa Marilac? Ali eu tava dando um recado muito claro pras nossas pessoas: se eu não me levava a sério, a ponto de me fazer de bobo, de palhaço, e de rir de mim mesmo – e eu era um dos fundadores e a principal liderança da companhia –, ninguém aqui pode se achar melhor do que ninguém, ninguém aqui pode se levar a sério demais. Porque quando a gente começa a achar que sabe tudo, começa a ficar preguiçoso.

E aqui quem manda, pessoal, é o consumidor. Se as nossas pessoas estiverem envolvidas no nosso projeto, entendendo a missão,  a nossa causa, nossa campanha, nossa coleção, eles melhor vão comunicar isso ao nosso consumidor, dentro dos nossos pontos de venda, através do serviço atendimento ao consumidor etc etc etc.

Uma coisa importante: todo mundo pode fazer isso. Às vezes você não tem grana pra fechar o Maracanã. Mas às vezes você consegue pagar a padoca da esquina, um restaurante, um café que tem ali do lado. Então não se omita por falta de investimento. Não é questão de disponibilidade financeira, é de disponibilidade emocional.

Insight do dia: Dia das pessoas > Dia de Vendas.

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