Limonada

Sobre livros e vendas

Uma conversa enfoderada com Caio Carneiro, autor do best seller "Seja foda!"

Por Rony Meisler
6 de abril de 2020

Caio Carneiro é foda. Desde cedo empreendeu.

– Sempre fui vendedor, desde moleque. E percebi que essa é a profissão mais mistificada do mundo. Alguns amigos tinham vergonha de mim, porque eu era o cara que vendia coisas na escola. Mas sempre achei que não tinha nada de errado – conta o Caio, que há dez anos trabalha com venda direta.

Em 2012, ao atingir R$ 2 bilhões em vendas, ele começou a documentar sua vida, sem nenhuma segunda intenção. As editoras acabaram batendo à sua porta.

– Minha mensagem era maior que meu ecossisitema – explica. Vieram então “Seja foda!”, livro de negócios mais vendido no Brasil em 2018 e 2019, e “Enfodere-se!”.

Conversei com ele na nossa quartentena de lives. Aqui, um breve resumo do que foi dito.

Que esse vírus nos faça sentir saudades de abraçar, apertar a mão. Um dos nossos maiores medos é perder nossos pais e sentir saudades, nós estamos sentindo saudades dos nossos pais em vida. Nos negócios vieram vários movimentos ao longo da história que fizeram negócios morrerem. A Blockbuster morreu, e quando você pergunta: “por que morreu?”, normalmente respondem: “Por causa da Netflix”. Essa é uma visão totalmente vitimista, a Blockbuster morreu porque não se reinventou diante do novo mundo, e nós temos que nos reinventar diante desse novo mundo. O que mudou na sua vida nesses últimos dias?

Solidão é diferente de solitude, né? Eu valorizo meus momentos mais reflexivos, foi um momento que eu me questionei sobre meus caminhos, minha escolhas, esse momento reforça nossas escolhas e faz a gente refletir sobre próximas escolhas.

Nesses momentos que eu percebi quantas pessoas fodas que tenho ao meu lado na minha equipe, quando a equipe vira família é foda, vamos dar a mão e passar isso junto, ninguém vai ficar pra trás.

Como tá sua rotina?

Eu nunca trabalhei de casa, mas aprendi a fazer acordos dentro de casa, com minha esposa principalmente, em home office 24/7. Eu me visto pra trabalhar, boto minha roupa de guerra, passou um gel no cabelo, meu relógio, aliança. Me vestir pra trabalhar me faz bem pra caramba. E tenho uma coisa que se chamar a crise do hiper-realizador: a gente só fica tranquilo quando tá produzindo, e a gente se torna muito duro com nós mesmos, sentimento de estar ficando pra trás. Eu termino o dia e faço uma avaliação do que deu errado e no dia seguinte eu ajusto.

O investimento em conhecimento é fundamental, como você organiza sua leitura?

Até os 20 anos de idade eu nunca tinha lido um livro na vida. Na verdade tinha lido “O doce veneno do escorpião”, da Bruna surfistinha. Ela estudou na minha escola e ficou famosa, por isso eu li. Hoje em dia sou leitor assíduo e faço uma curadoria do que vou ler. Eu amo ir à livraria. Quais são as adversidades do Caio hoje? O que eu preciso ser mais? Já faço essa curadoria. Eu vou pelos principais assuntos, depois vejo as principais obras, depois eu faço uma pesquisa de opinião e os livros que foram indicados e tiveram match com minha curadoria é o livro que eu compro. O livro que eu comprei semana passada já botou dinheiro no meu bolso.

Na segunda feira agora eu começo uma série no instagram, o “The Bookflix”: eu vou desvendar, decifrar um livro por dia no Instagram. Vou dar dicas de leitura pra galera 11:01 da noite, todo dia.

Como que você aprende e desaprende lendo um livro?

Eu gosto de escalar o escalável. Por exemplo, eu respondo a todas as mensagens que recebo, porque é o óbvio. Eu respondo todo mundo porque ninguém responde. Às vezes a diferenciação é o óbvio que ninguém faz, se inova com o simples.

Indica três livros então que nos próximo 40/60 dias todo mundo tem que ler.

“O manuscrito original”, de Napoleon Hill.

“Antifrágil”, de Nassim Taleb.

“Seja foda!”, de Caio Carneiro.

 

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