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6 lições de gestão que vêm do Flamengo

Especialistas em Empreendedorismo, Gestão e Marketing avaliam os ensinamentos deixados pelo Flamengo em seu processo de reconstrução

Por 2min
27 de fevereiro de 2020 Atualizado em 02/03/2020 às 11:34

Ano passado, o Flamengo venceu o Brasileiro e a Libertadores. E só neste início de 2020, já papou três títulos (Supercopa do Brasil, Taça Guanabara e Recopa sul-americana). Por isso, lançamos a pergunta: se o Flamengo fosse uma empresa, que ensinamentos de gestão estaria nos dando? Aqui estão algumas respostas de especialistas em Empreendedorismo, Gestão e Marketing consultados por nós.

1 – EQUACIONE SUAS DÍVIDAS: De 2013 para cá, o clube reduziu sua dívida drasticamente, e alterou o perfil dela. Hoje, é majoritariamente fiscal (antes, era bancária) e escalonada em 20 anos. “Não existe como você criar uma estratégia de crescimento sem você entender e saber o quanto você deve. Seja pra pessoa física ou jurídica: você pode até dever, mas precisa ter organização e clareza sobre isso”, avalia o empresário Alfredo Soares.

2 – NA CRISE, SOBREVIVA: Ao fechar a torneira em 2013, o Flamengo deixou de fazer grandes contratações e focou em sobreviver. Como uma startup que abre mão do lucro nos primeiros anos, reinvestindo no negócio. “O case de sucessso apresentado pelo Flamengo vem da estruturação do negócio. É um exemplo de planejamento estratégico. De Marketing, Financeiro. Um exemplo de sobrevivência, fundamental nessa primeira fase, para partir para a perpetuação em seguida”, diz Marcus Quintella, coordenador do MBA em Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios da FGV-RJ.

3 – FOCO NO CLIENTE: Em 2019, o programa de sócios-torcedores do Flamengo atingiu 150 mil inscritos. Em abril, o clube assumiu a gestão do Maracanã. Ao longo da temporada, quase 1,3 milhão de pessoas viram jogos do time no Rio, e o clube arrecadou cerca de R$ 70 milhões em bilheteria. “Levando-se em conta que 84% dos assinantes são de fora do Rio, sugerimos outro tipo de pacote para este grupo. Desta forma, o produto ficou escalonável sem mais custos. Se atingir a taxa do Benfica, de Portugal, que é de 8%, o Flamengo ainda pode vir a ter mais de 3 milhões de sócios-torcedores”, diz Isabella Vasconcellos, professora de Marketing da ESPM do Rio.

4 – DIVERSIFIQUE RECEITAS: A arrecadação com direitos de transmissão, que já representou 51% do orçamento do clube, em 2013, agora está em 34%. Ou seja, a origem dos recursos tem sido mais diversa. A média é parecida com gigantes do futebol europeu, como Real Madrid (35%) e Barcelona (33%). A média brasileira é de 42%.

5 – AUMENTE O LUCRO SEM AUMENTAR CUSTOS: Os valores de patrocínio no uniforme em 2019 superam R$ 65 milhões, quase 20% a mais do que ano passado. “E ainda criou parcerias, como feito com a BS2, usando o ecossistema do sócio-torcedor. Não é mais apenas a exposição de mídia na camisa, e isso permite ganho variável”, comenta Alfredo Soares.

6 – INVISTA EM PESSOAL: Depois de seis anos contido, em 2019 o clube gastou R$ 200 milhões em craques, e descobriu no mercado o técnico Jorge Jesus, que reinventou o time. “Em termos de gestão de equipe, eu destacaria a maneira e a constância como Jorge Jesus dá feedback, com franqueza. Ele é conhecido pelas conversinhas one to one ao fim dos jogos e recados duros pra quem quer que seja, jogador novo ou estrela. Isso é muito importante pra qualquer empreendedor”, avalia Renato Mendes, sócio da aceleradora Orgânica 10.4.3 e coautor do livro “Mude ou morra – Tudo que você precisa saber para fazer crescer seu negócio e sua carreira na nova economia”.

“O segundo ponto que me chama bastante atenção é como ele conseguiu criar uma cultura de disciplina e foco. Ele é detalhista e intenso, e passa isso pros jogadores, que começam a agir da mesma forma. Isso é cultura corporativa: os liderados agem como você age. O terceiro aspecto é como ele foi capaz de trazer pro clube um mindset vencedor. Isso mudou o sentimento no grupo, e os resultados aparecem”, completa Renato.