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9 dicas de ‘O dilema das redes’

Listamos sugestões do filme para você reavaliar sua relação com os dispositivos de tecnologia e as redes sociais

Por 2min
15 de setembro de 2020 Atualizado em 17/09/2020 às 08:21

Você checou seu e-mail quanto tempo depois de acordar? Quantas vezes por dia confere a vida rolando no Instagram? E o Whatsapp, apita a todo instante? Claro que você não é o único. Chegou à Netflix causando alvoroço o documentário “O dilema das redes” (“The social dilemma”), que traz à tona a visão de programadores que ocuparam cargos de liderança nas principais empresas do Vale do Silício.

“O dilema das redes” traz depoimentos contundentes de ex-diretores do Google, do Facebook, do Pinterest, do Instagram, do Twitter e de pesquisadores do tema. Todos concordam: alguma coisa precisa mudar, ou caminharemos, na previsão deles, para o caos. Espera-se até mesmo uma guerra civil provocada pelas redes, na visão de um deles.

– Parece loucura dizer que precisamos mudar tudo, mas é o que precisamos fazer. No fim das contas, esse sistema não vai mudar sem muita pressão popular –  defende Tristan Harris, ex-designer ético do Google, um dos sujeitos responsáveis pela criação da interface do Gmail.

– Só um milagre nos salvará. E esse milagre é a força de vontade coletiva – diz Justin Rosenstein, cocriador do Google drive, do chat do Gmail, das fanpages do Facebook, do botão de like e cofundador do Asana.

O alerta de gente tão qualificada se deve a diversos aspectos, do impacto emocional das redes sobre as pessoas à criação de fakenews sem controle, passando pelo vício em tecnologia, uso indiscriminado de dados pessoais (“se você não está pagando pelo produto, você é o produto”), incentivo à polarização de debates e influência sobre eleições, entre inúmeras outras questões.

Separamos algumas dicas dos personagens do filme. Sim, é assustador. Mas vale a pena ler (e ver o “O dilema das redes”, para tirar suas próprias conclusões):

 

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1 – Reduza o número de notificações que você recebe. Ou, melhor ainda, desligue todas elas.

Dica corroborada por Tristan Harris, Aza Haskin, inventor do scroll infinito,  e Sandy Parakilas, ex-gerente de Operações do Facebook e ex-diretor de Produto do Uber.

2 – O Qwant, alternativa ao Google, não armazena seu histórico de buscas. Avalie uma mudança de buscador.

Dica de Guillaume Chastlot, que trabalhou como engenheiro no Google e no YouTube.

3 – Nunca clique em um vídeo recomendado para você no YouTube. Sempre escolha você mesmo.

“É outra forma de combater o sistema”, diz Jaron Lanier, autor do best seller “10 argumentos para você deletar agora suas redes sociais” e um dos pais da realidade virtual.

4 – Há várias extensões no Chrome que removem as recomendações.

Dica de Guillaume Chastlot, que trabalhou como engenheiro no Google e no YouTube – e, curiosamente, foi um dos responsáveis por desenvolver o sistema de recomendações.

5 – “Antes de compartilhar, cruze informações, veja outras fontes, pesquise. Se parecer ser algo criado para te desestabilizar emocionalmente, provavelmente é”.

Frase de Renée Diresta, diretora de pesquisas do Stanford Internet Observatory.

6 – Obtenha diferentes informações por conta própria. Siga pessoas de quem você discorda para ser exposto a diferentes pontos de vista.

Dica de Cathy O’Neil, cientista da informação.

7 – Muitas pessoas dessa indústria não permitem que seus próprios filhos usem esses mecanismos. Evite que crianças tenham acesso a redes sociais antes da adolescência.

É o caso, por exemplo, de Tim Kendall, ex-vice-presidente de Engenharia do Twitter, ex-presidente do Pinterest e ex-diretor de Monetização do Facebook, cargo que exerceu por 5 anos. Para ele, a adolescência já é pesada o suficiente – o ideal é que só se tivesse acesso às redes a partir dos 16 anos (!).

8 – Estabeleça horários para que os dispositivos estejam acessíveis a seus filhos. Antes que eles durmam, tire os aparelhos dos quartos. Decida – com a ajuda deles – quanto tempo por dia eles podem acessá-los.

“Normalmente, eles próprios são capazes de sugerir um tempo razoável”, diz Jonathan Haidt, PhD em psicologia social.

9 – Saia do sistema. Delete seus aplicativos de redes sociais.

“O mundo é lindo. Está um belo dia lá fora”, conclama Jaron Lanier, encerrando “O dilema das redes”.

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