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E por falar em saudade…

No Dia da Família, listamos algumas explicações para o que é saudade - especialmente entre avós e netos

Por 2min
15 de Maio de 2020

Neste período de quarentena, um sentimento tem sido tão universal quanto a própria pandemia: a saudade. Uma coisa está ligada à outra neste momento em que famílias extensivas foram separadas, numa proteção sobretudo aos grupos de risco – que envolvem avós, naturalmente. Por isso, neste Dia da Família, resolvemos explicar melhor, afinal, o que é saudade. Alguns pontos:

1 – Há um mito de que a palavra “saudade” é uma exclusividade do idioma português. Há controvérsias. Certo, porém, é que todos os povos sentem o que ela significa – em uma ou mais palavras, em qualquer língua.

2 – Historicamente, o sentimento de saudade – ou banzo, no caso específico dos africanos escravizados – é capaz de deprimir a ponto de matar. O mesmo fenômeno se observou também entre soldados nos fronts europeus, enviados para longe de suas casas.

3 – Segundo a medicina, a sensação de pertencer a um lugar ou grupo causa prazer; ao ser retirado deste lugar ou grupo, a abstinência é semelhante à das drogas. O distanciamento pode acarretar em maior irritabilidade e perda de sono, segundo o mesmo estudo. E isso já se observa entre o quarto e o sétimo dias de afastamento – uma quarentena prolongada, portanto, só tende a agravar o caso.

saudade

 

4 – Em outras palavras, há uma série de hormônios produzidos pelo corpo que estão relacionados aos sentimentos de “querem bem” a alguém. Quando se está longe desse ser amado, o organismo deixa de produzi-los, ou produz em menor escala. E isso pode causar, entre outras coisas, depressão e ansiedade.

5 – Numa certa medida, porém, a saudade é um sentimento que faz bem. Quando você está perto de quem ama, está no que se costuma chamar de zona de conforto. Estar longe te desafia a desenvolver novas habilidades – e isso é sempre positivo, não é mesmo?

6 – O psicanalista Carlos Eduardo de Souza, da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, aponta que os netos têm toda a vida para sentir saudade, enquanto os avós, ao contrário, têm urgência para dar conta dela, invertendo assim a noção de que os mais velhos podem lidar melhor com os afetos, por conta da experiência. “Nestes tempos de confinamento, mesmo na presença há a saudade do gesto amoroso de abraçar, beijar. Nesse espaço forçado entre o desejo e o dar conta dele é que pode habitar a criatividade”, diz.

7 – Portanto, sejamos criativos. No caso de avós e netos que moram perto, que tal um programa estilo “drive-thru”, com a proteção do carro? Ou que tal um abraço com toda a segurança? E, claro, também podemos atenuar a saudade com ajuda da tecnologia. A dica mais certeira é o Whatsapp, ferramenta que já está totalmente associada ao dia a dia do brasileiro. Os outros aplicativos podem ser até mais eficazes, mas talvez demandem habilidades maiores de instalação e uso pelos avós.