Masculinidades

Equilíbrio distante

Papo de Homem promove jornada sobre o tema após aumento de 90% nos casos de depressão na pandemia

Por 2min
25 de junho de 2020

Se encontrar o equilíbrio emocional já era um desafio em tempos de paz, com a chegada do Covid-19 – e o consequente enclausuramento –, ficou ainda mais complexo. Um estudo realizado pela Uerj (Universidade do Estado do Rio) com 1.460 pessoas de 23 estados brasileiros mostra que os casos de depressão aumentaram 90% por causa da pandemia de coronavírus.

Atento à situação, o Papo de Homem promove até amanhã sua Jornada do Equilíbrio Emocional, em cinco lives com especialistas que permanecerão disponíveis no canal do Youtube do PdH. Em paralelo, o grupo tem feito uma pesquisa entre seu público para saber os efeitos da pandemia na vida de cada um.

O primeiro a falar sobre o tema foi Guilherme Valadares, um dos fundadores do Papo de Homem, formado no método Cultivando o Equilíbrio emocional – desafio proposto por Dalai Lama a especialistas das áreas de emoções, como Paul Ekman, Alan Wallace e Eve Ekman.

– Em junho de 2019, 6 em cada 10 pessoas declaravam lidar com problemas emocionais. Agora, com a pandemia, este estudo em curso mostra que o número cresceu: são 8 em cada 10. É muita coisa, significa que quase todos estamos lidando com problemas emocionais em algum nível – afirma Guilherme.

O ranking pré-pandemia era o seguinte: 68% declaravam-se com distúrbios de ansiedade; 28%, com depressão e insônia; 14% tinham vício em pornografia e problemas alimentares; 9%, disfunções sexuais; 9%, pânico; 6%, vício em games; em álcool, 5%; e em drogas ilícitas, 4%.

No atual momento, quase todos os índices subiram: 73% declaram-se ansiosos; 35%, com insônia; 26%, com depressão; 14%, com problemas alimentares; 12%, viciados em pornografia; 10%, com pânico; 8%, viciados em games; 6%, com problemas sexuais; 5%, viciados em álcool; e 4%, em drogas ilícitas.

– O índice que mais mudou foi insônia, de 27% para 35%, e quando a gente dorme mal, nosso sistema imunológico cai muito. A melhor coisa para o sistema imunológico, inclusive contra o coronavírus, é um sono restaurativo – diz Guilherme.

Na pesquisa, 58% afirmam que os problemas emocionais pioraram durante a pandemia. E apenas 3 em cada 10 pessoas dizem que têm um nível de auto-cuidado “bom” ou “muito bom”. Este é um ponto-chave, na avaliação de Guilherme Valadares.

– Muitas vezes a gente tem uma fixação com parâmetros materiais. Mas quando a gente fala de auto-cuidado, estamos falando de oferecer compaixão a nós mesmos. Se eu trato a todos bem, mas me trato com um chicote, isso é quase uma performance. O auto-cuidado deve ser uma prioridade – sugere o especialista. – Muitas vezes fazemos o auto-cuidado com o que sobra de tempo. Deveríamos tratar como prioridade. Como fazer isso não só individualmente, mas coletivamente? Mas não fomos alfabetizados emocionalmente. E a reação de uma pessoa sem alfabetização emocional em situações de alto estresse é pior – diz.

Para Guilherme, “é necessário achatar a curva da exaustão emocional”. Isso se aplica a organizações também. Segundo ele, numa organização emocionalmente despreparada, é comum que a ansiedade e o pânico atinjam as pessoas dessa organização.

 

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