Masculinidades

O homem e a pandemia

Sócios da Reserva e Papo de Homem debatem efeitos da quarentena nas masculinidades e se dizem transformados

Por 2min
19 de agosto de 2020

A essa altura da pandemia, não é segredo para mais ninguém o quanto a quarentena causou efeitos colaterais nas masculinidades e nos relacionamentos em geral. Para o bem ou para o mal. Para debater essas transformações, esta semana Guilherme Valadares, do grupo Papo de Homem, reuniu-se com Rony Meisler, Nandão Sigal e Jayme Nigri, sócios da Reserva.

O encontro (virtual) deu sequência ao debate proposto no Dia dos Pais, em que a marca pela terceira vez trouxe à tona o tema “Pai presente”.

– Eu me considerava antes um pai presente, e saio dessa quarentena com a certeza de que eu era um pai ausente – disse Rony Meisler, CEO da Reserva. – E com certeza minha relação com meus filhos, não só de tempo, mas de qualidade, e a distribuição das atividades domésticas entre eu e a Anny, estão muito mais penduladas e com um saldo positivo.

A pandemia também trouxe um aprendizado para Nandão Sigal: segundo ele, no início ele acreditava que não conseguiria sobreviver sem a ajuda de babás para as crianças.

– Vejo que eu deixei de estar ao lado dos meus filhos por um certo conforto que é mentiroso – afirmou, lembrando que a quarentena fez com que ele se descobrisse mais como pai. – Se você entrou na quarentena de um jeito e sair igual, ela não serviu de nada. Todo mundo sai machucado numa certa medida, porque foi uma experiência sensível e drástica. Só que a gente pode tentar sair diferente e melhor – disse.

Jayme Nigri, que tornou-se pai no fim de dezembro passado – portanto sua filha viveu mais tempo sob quarentena do que fora dela – disse que o período em casa fez com que valorizasse ainda mais o papel da mulher.

– Quando chega o fim do dia, não me sinto no direito de dizer que estou cansado, por comparação com minha mulher.

De fato, a valorização do trabalho doméstico – atividade normalmente exercida pela mulher – é um dos pontos positivos da pandemia, como lembrou Guilherme Valadares.

– A boa notícia é que a divisão melhorou, e a a ruim é que está longe de ser uma divisão justa ainda. É uma longa jornada – avaliou.

A falta de apoio dos homens, inclusive, é a principal causa do segundo fenômeno observado nos últimos meses: o aumento do número de pedidos de divórcio. Buscas de “como dar entrada no divórcio” no Google cresceram 82%; e buscas por “divórcio online gratuito” aumentaram 9.900%, segundo dados do buscador de março de 2020 – quando a quarentena ainda estava no início.

– Quem tem feito mais pedidos são as mulheres, argumentando sobrecarga mental excessiva, devido aos homens não entenderem seu papel na divisão de tarefas domésticas – contou Guilherme. – Mas chega a ser engraçado que precisou acontecer uma pandemia para os homens valorizarem o trabalho doméstico – disse.

Da mesma forma, cresceram exponencialmente os casos de estresse e ansiedade (um aumento de 90%); e por último, e pior: o período de confinamento também significou um aumento significativo nos índices de violência contra a mulher. Apenas em São Paulo, o número cresceu 44,9%.