Masculinidades

Pai se faz presente

Um Dia dos Pais diferente e uma reflexão sobre uma questão que atormenta o país, o abandono parental

Por 2min
7 de agosto de 2020

Neste domingo o Brasil comemora o Dia dos Pais. E neste Dia dos Pais, estamos vivendo uma profunda reflexão sobre nossos encontros presenciais. Fato é que estamos aprendendo, na marra, duas coisas importantes: valorizar a presença física e dar um jeito de se fazer presente. E isso é ainda mais importante do que estar presente. Pai se faz presente.

Mas nem tudo é festa. Números impactantes dão conta de um problema exponencial no país, o abandono parental. Chamamos sua atenção para o problema para que você também seja um agente de transformação dessa triste realidade. Vamos aos dados:

– Nada menos do que 11,5 milhões de mulheres não contam com qualquer tipo de auxílio (ou presença) dos pais na criação dos filhos (entre 2005 e 2015, o número cresceu 10%), e mais de 5,5 milhões de brasileiros não têm o nome de seus pais em seus documentos. Este último dado é de 2013 – estima-se que tenha aumentado, já que apenas em Santa Catarina, na última década, mais de 1 milhão de crianças foram registradas sem o pai.

– Segundo recente pesquisa do Instituto Locomotiva, 57% das mães que criam os filhos sozinhas vivem abaixo da linha da pobreza; em cerca de 1/3 das casas sustentadas por elas, faltou dinheiro para comprar produtos de limpeza ou comida neste período de pandemia.

– De acordo com o IBGE, em 2015 a dedicação das mães aos filhos era muito maior que a dos pais: mais de 80% das crianças tinham mulheres como primeiro responsável. Segundo outra pesquisa, divulgada em 2017, em 89% dos casos as mães eram responsáveis pela criação dos filhos na faixa de até 3 anos. Pais eram responsáveis por apenas 5% dos casos.

– Como se o drama do abandono parental não fosse suficiente, normalmente este tipo de situação também acarreta um aumento na pobreza da família, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (2017).  A taxa de pobreza por família chega a 56,9% entre famílias compostas por mulheres sem cônjuge e com filhos; o percentual cai para 30% em famílias de casal com filhos; 12% nas de casal sem filhos; e 9% nas formadas por uma pessoa apenas.

 

 

– Nos últimos anos, o abandono parental também se tornou tema judicial, com pedidos de indenização por danos morais.

Na Reserva, entendemos que o papel do pai é ser presente – há três anos, nossas campanhas no Dia dos Pais trazem o tema para reflexão. E, desde 2017, a licença-paternidade na empresa tem duração de 45 dias.

A história desse benefício tem origem em 2016, quando o CEO da marca, Rony Meisler, teve sua terceira filha. Ele estendeu o tempo em casa junto a sua mulher, filha recém-nascida e os dois filhos. Percebendo a importância de estar próximo naqueles primeiros dias, ele decidiu estender a licença para todos os colaboradores do grupo. A regra vale independentemente da orientação sexual do pai e se os filhos são biológicos ou adotados.

– Há quem pergunte se esse tempo maior não gera de alguma forma prejuízo para a empresa. Mas só de ver a motivação, o engajamento e o sentimento de gratidão do colaborador pela companhia por ter tido esse tempo a mais com seu recém-nascido e estar presente desde os primeiros dias, já justifica essa decisão de fazer diferente no mercado – diz Ana Rizzetto, diretora de Fontes Humanas da Reserva.

E por falar no Rony: na última quinta-feira ele encerrou a série de lives no IGTV da Reserva muito bem acompanhado de Luiz Meisler, seu pai (“meu melhor amigo, a melhor pessoa que eu conheço, disparado”). Numa conversa deliciosa, os dois falaram da origem judaica da família, com direito a muitas lágrimas e risadas. A gente recomenda o confere.

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