Ser

A força está com ele

Christiano Bastos é fã da saga Star Wars - mas também sabe muito de outros temas, de NBA ao mercado financeiro

Por 2min
4 de Maio de 2020

Neste 4 de maio, uma legião de fãs celebra o Dia de Star Wars. A data é uma referência à saudação “May the force be with you” (“Que a força esteja com você”), ou “May the 4th” (4 de maio). No departamento financeiro da Reserva, o economista Christiano Bastos engrossa a fileira dos fissurados pela saga criada por George Lucas – e pelo cinema, em geral.

O início de seu interesse pela sétima arte tem um momento inaugural muito claro: uma sessão de cinema em 1977, quando assistiu ao primeiro episódio de “Guerra nas Estrelas”.

– Quando entrei no cinema, era uma pessoa. Saí de lá outra pessoa. Passei a me interessar em saber como os filmes eram feitos, sobre trilha sonora, fotografia de cinema, como era a escolha dos atores. E isso gera uma admiração pelas pessoas.

E, portanto, admiração por Woody Allen – a quem ele considera inocente das acusações do movimento #MeToo. Numa era pré-blogs, durante onze anos Christiano manteve a publicação de uma newsletter semanal sobre cinema, o Movie Ticket, que era distribuída entre os colegas de trabalho (antes de chegar à Reserva, em 2015, ele passou pelo mercado financeiro, pela IBM e pelo Esporte Interativo).

– Fiz uma estatística, por causa do Movie Ticket, muito antes do #MeToo portanto, e na época ele era o diretor que mais tinha gerado indicações ao Oscar de atores diferentes e especialmente de mulheres diferentes. Li tudo o que saía, e continuo lendo, sobre #MeToo. É uma coisa tão revolvante, e tão triste. Acho que boa parte dessa ligação do cinema passa uma conexão com as pessoas que fazem cinema – explica Christiano, que em seu “melhor ano” foi 82 vezes à sala escura – algo que ele tem sentido falta neste período de quarentena.

Quando fui ao cinema ver ‘Star Wars’, era uma pessoa. Saí de lá outra pessoa

Outra pessoa que Christiano admira, de outro universo que ele igualmente domina, é Pat Riley. Adeptos da NBA provavelmente já ouviram falar dele: ex-jogador de basquete, tornou-se o icônico treinador do Los Angeles Lakers nos anos 80. A NBA foi tema de outra newsletter de Christiano, a Dribble Babble.

– Mais tarde fui mudando de time conforme ele mudava de emprego – conta Christiano. – Passei a escrever sobre tudo, desde a parte financeira, de troca de jogador, videogame, como estavam os times. Eu tinha uma implicância enorme com o Bulls do Michael Jordan, achava seboso, porque ganhava sempre do meu time.

A Dribble Babble era escrita em inglês, para praticar o idioma, e demandava muita dedicação, numa época em que as informações não eram tão disponíveis.

– Lembro que em uma das newsletters eu tratava do lançamento da NBA.com – cita Christiano, para lembrar a dificuldade pré-internet.

Com a chegada dos filhos – Bernardo está agora com 14, e Guilherme, com 13 – e o “trabalho pra dedéu”, Chris afastou-se das newsletters. Os filhos e a mulher, Luciana, porém, são parceiraços em outros prazeres. Nesta fase de home office, têm aproveitado para almoçar e jantar sempre juntos; aos fins de semana, sempre rola leitura coletiva, jogos de tabuleiros e cartas. E Lego. Muito Lego.

– Quando eu era menor, não tinha Lego no Brasil. Aí, quando o Bê era bem pequeno, ele ganhou uma nave de Guerra nas Estrelas. Aí abriu um novo universo – lembra. – Os adultos fãs de Lego – Afol são chamados,  Adults Fan of Lego – todos eles passam uma chamada Dark Age, uma fase obscura da vida em que se afastam do Lego, mas depois voltam. Eu não tive essa fase. Sou vidrado em Lego – diz.