Ser

O antimodelo que veio do Japão

Ao fugir de rótulos como o do nerd certinho, ele encontrou seu lugar ao sol

Por 2min
24 de fevereiro de 2020 Atualizado em 25/02/2020 às 19:08

Bruno Iwasaki não gosta de rótulos, e rejeita o de nerd, que muitas vezes se associa ao japonês (“sempre procurei fugir do estereótipo do japonês certinho”). Como modelo, também não gosta de padrões, embora se equilibre elegantemente em 67kg distribuídos em 1,73m. Mas, sobretudo, sua história também é pouco convencional.

Aos 31 anos, há apenas quatro ele atua como modelo e ator. Foi descoberto tardiamente, portanto. Antes disso, era auxiliar fiscal – como ele mesmo diz, “uma área que não tinha nada a ver”. Começou como arquivista, e ao longo de quatro anos, fez alguns cursos e foi subindo de cargo na empresa em que trabalhava. Até que cansou.

— Algumas agências já tinham me chamado para testes, mas como era em horário comercial, nunca conseguia ir – conta. – Mas decidi ir atrás do que queria e acabou rolando – simplifica.

O olhar que as pessoas têm lá no Japão é diferente: ninguém te julga pelas roupas que você está vestindo

Antes do trabalho burocrático, Bruno Iwasaki passou quatro anos – dos 15 aos 19 anos – morando em Nagoya, no Japão. Não falava nada do idioma quando chegou lá.

— Dos 7 aos 15 anos morei com minha tia. Nessa ocasião, meus pais tinham ido para o Japão para tentar me proporcionar uma vida melhor. Aos 15, fui encontrar com eles. A princípio, para terminar os estudos. Aos 18 anos, comecei a trabalhar, mas com a crise de 2008 todos os brasileiros foram mandados embora. Resolvi voltar. Meus pais só voltaram um ano depois – lembra.

Do período na terra do Sol Nascente, tem boas recordações. Entre elas, a liberdade de se expressar através das roupas.

— O olhar que as pessoas têm lá é diferente: ninguém te julga pelas roupas que você está vestindo. Você vê uma galera andando de pijama na rua, é supernormal. Você é livre pra vestir o que quiser, sem julgamento. Sempre gostei de usar coisas diferentes do que estão usando no momento. Por exemplo, já usei saia aqui. Numa época que quase não usavam estampas, eu usava – afirma, ressaltando que sempre acompanhou a moda lá fora.

Com tatuagens e cabelo longo – às vezes preso num típico coque samurai –, Bruno festeja a abertura do mercado para modelos que, como ele, não saíram de uma fábrica.

— Estão começando a sair dessa coisa do modelo padrão, embora algumas marcas ainda sejam mais conservadoras – diz.

O @japagringo dá sua dica para manter a forma:

— Gosto de praticar esportes. Corro, ando de skate, de bike, já fiz luta. E tenho uma genética boa.

Genética, aliás, já transmitida adiante, para o filho de 7 anos.

— Tudo o que faço é pensando num futuro melhor pra ele.

Nisso, felizmente, Bruno Iwasaki é bem típico: um pai babão.