Ser

Comer, beber, viver

Hortelão, cicloativista, empreendedor e designer da Reserva, este é Ícaro dos Santos

Por 2min
10 de março de 2020

Numa noite triste do verão de 1967, uma pedra deslizou de um morro em Laranjeiras e atingiu uma casa e dois prédios. O Rio chorou a morte de 120 pessoas na tragédia. A cicatriz na cidade existe até hoje: o terreno onde estavam as construções, na Rua General Glicério. Pelo menos temos um final feliz: hoje o espaço dá lugar a uma horta comunitária.

– Pra mim é muito difícil ver um terreno sem uso social – diz Ícaro dos Santos, morador local,  idealizador da horta e, há cinco anos, designer da Reserva. – Aí chamei uma galera e fui lá montar uma horta, aberta pra todo mundo – explica.

Depois que começou a tocar a plantação, Ícaro teve a alegria de descobrir que existe uma grande rede de pessoas que se encontram para trocas de mudas e sementes.

– A gente planta umas folhagens normais, tipo alface e rúcula, mas o que é legal são as plantas alimentícias não-convencionais, que são nativas e requerem menos cuidado. Menos água, menos tudo. Então tem muita beldroega, tem ora pro nobis, cabeludinha… Também tem gengibre, cúrcuma, inhame, uma frutífera ou outra, e coisas sazonais. E ainda um espiral de ervas – enumera. Depois de um crowdfunding, Ícaro e sua turma conseguiram colocar uma estação de captação de água da chuva, calcanhar-de-aquiles de qualquer horta.  – Pensei que num momento ia ter uma produção efetivamente, mas com o tempo fui entendendo que era mais um jardim comestível, mas que a função social de juntar as pessoas é que era primordial.

Sim, o papel de Ícaro na vida é cercar-se de gente. Ainda no ramo gastronômico – tema bom pra reunir amigos – ele escreveu um livro, “Receitícaros”, com suas receitas “sem medidas”. Foi publicado por sua “mais ou menos editora”, que se chama Editora Voadora.

– São receitas com funções específicas: pra quem acordou de ressaca, ou vai ter um date… – conta o designer, que há três anos aceitou o convite de um amigo para tornar-se também fabricante de sidras. – Estava todo mundo fazendo cerveja artesanal, então decidimos fazer sidra – explica. Há um ano e meio, a Psydra é uma das atrações da Junta Local, feira de produtores itinerante, que a cada fim de semana está num lugar do Rio.

 

Estava todo mundo fazendo cerveja artesanal, então decidimos fazer sidra

Por falar em itinerante: não bastasse toda a movimentação em torno de comes e bebes, Ícaro também sabe onde gastar calorias. Mais que ciclista, ele é cicloativista. Durante um tempo, manteve uma ocupação de rua chamada Nuvem Móvel: várias bicicletas conectadas com aparelhos de som.

– A gente fazia uns caminhos pela cidade e parava. Então fazia zonas autônomas temporárias em lugares da cidade, que poderia ser mais de uma, dependendo do fluxo, da energia do pessoal ou da polícia. Às vezes a polícia chegava e a gente tinha que sair fora – lembra. Cada evento reunia de 200 a mil pessoas, dependendo do dia.

Depois, a atividade ciclística deu filhote. Gerou a Casa Nuvem, que era “um espaço político e artístico que rolava na Lapa”, nas palavras de seu idealizador. – Durante muito tempo era o lugar onde as pessoas saíam das manifestações e iam lá debater – diz.

Atualmente, a bike é parceira para idas ao cinema, e eventualmente, até para o trabalho, mesmo com a considerável distância de 17 quilômetros de ida e volta de Laranjeiras a São Cristóvão, onde fica a sede da Reserva.

Entrega verde

Por falar em bike: neste dia 10 de março se comemora o Dia do Ciclista. E a gente sabe que pedalar é tudo de bom, tanto pra saúde como pro meio ambiente.

Quando se compra pelo site da Reserva, é possível escolher a “Entrega Verde” (de bike), se o destino da compra for para determinados bairros do Rio e de Niterói. Basta sinalizar a opção de “Entrega Verde” ao finalizar uma compra.

Na Zona Sul, no Centro e na Tijuca, as entregas são feitas em até 5 horas. Nas demais regiões, em até 24h.