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Do fast food ao menu confiance

Thomas Troisgros está à frente de uma rede de seis hamburguerias e ainda pilota a cozinha do Olympe

Por 2min
26 de fevereiro de 2020

Aos 37 anos, Thomas Troisgros já não é apenas “o filho do Claude”, popstar da TV e da cozinha, ou “o neto do Pierre”, um dos inventores da nouvelle cuisine. O pai de Joaquim, de 5 anos, e Olívia, de 2, é o comandante de uma rede de seis hamburguerias – o “nosso” TT Burger – e pilota o fogão do Olympe, um dos seis do grupo Troisgros.

— Minha rotina é acordar cedo para levar as crianças na escola, ler, olhar o que está acontecendo no mundo gastronômico pela internet, rodar feira, botequim e reunião durante o dia, para quando chegar à noite estar no Olympe fazendo o menu confiance – diz. Peraí, ele disse rotina?

Para além do dia a dia carioca, Thomas gosta do movimento entre cozinhas do mundo inteiro. As viagens ocupam boa parte de sua agenda – com muito prazer.

— Faço parte dos 50 melhores restaurantes da América Latina. Além de ser uma premiação, isso gera um network maneiro. Comecei a ficar amigo do pessoal, então eles me levam para cozinhar – conta.

Nas viagens, deixo sempre lugar pra levar e trazer muambas comestíveis

Seus próximos destinos são tão distintos como Chile e Finlândia (“é ótimo conhecer lugares que eu normalmente não escolheria como turista”), mas a mala é praticamente a mesma em todas as ocasiões:

— Gosto de brincar que monto minha mala igual Lego. Sou todo metódico: eu abro e sei onde está tudo, como se fosse um armário. Não tem aquele negócio de chegar, desfazer a mala, colocar no armário – explica. – São sempre duas calças e tênis antiderrapantes, por causa da cozinha. Sempre um casaco de chuva e o basicão: preto, branco, cinza. Como o dólmã é branco, levo dois ou três, dependendo do número de jantares que vou fazer.

A opção pelas cores básicas é estratégica, segundo Thomas.

— Antes usava camisa com estampa, agora só uso básica, porque isso facilita a vida, e brinco com as cores das minhas calças. Sou fã da Reserva, e tenho calça bordô, azul, preta, cinza, vários tons de marrom, às vezes boto um xadrez. Como o dólmã é branco, qualquer cor de calça que você coloque funciona. Menos calça branca, se não você parece um médico. Brincar com as calças ficou mais fácil – diz o chef, que ao contrário do pai, só veste seu dólmã ao adentrar o ambiente de trabalho. – Meu pai coloca a dólmã de manhã e anda o dia inteiro assim – ri.

Longe do fogão, Thomas também é estratégico.

— Não uso roupa muito larga pra não parecer desleixado, mas também não gosto de camisa muito justa. Odeio coisa que me aperta. Ando de camiseta porque procuro estar despojado pra ir num botequim, não muito arrumado. Mas também não quero estar num lugar mais formal e parecer desarrumado – dá a dica.

E assim segue também nas viagens. Voltando a elas:

— Levo uma camisa social ou outra, caso tenha algum jantar. Raramente levo paletó. Pra Nova York, levo, porque sei que vou acabar indo num lugar que exige paletó.

E, voltando à arrumação das malas, aí vai mais um segredo:

— Deixo sempre lugar pra levar e trazer muambas comestíveis. Levo uma cachaça, uma rapadura, farinha, pra usar e presentear. E sempre trago comigo umas coisas de volta que experimentei por lá e me interessou.

Seu pai diria: “Que marravilha!”.