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Negócio de imagem

Filho de pai e mãe fotógrafos, Everton Rosa reinventou a fotografia social e ensina o que aprendeu

Por 2min
30 de março de 2020

O negócio de Everton Rosa é imagem. Seja real ou figurativamente falando.

Filho de pai e mãe fotógrafos, aprendeu a revelar filmes P&B aos 10 anos de idade. E, embora tenha trabalhado numa fábrica de sapatos, e depois como vendedor e bancário, nunca se afastou das câmeras. Aos 19 anos abriu seu primeiro negócio no ramo, no interior do Rio Grande do Sul.

– Observei que os fotógrafos que trabalhavam com fotografia social, batizado, casamento, aniversário, atendiam a um público e eu gostaria de atender a outro público. Me especializei para atender ao público mais seleto. A partir do segundo, terceiro ano, já troquei de público, troquei de cidade, passei a trabalhar no Brasil todo, e depois no mundo todo fazendo fotografia social – conta.

Entre seus clientes, Ana Maria Braga abriu espaço para uma lista de famosos que vieram na sequência. Em seu programa de TV, Everton mantinha um quadro. Depois, criou o próprio programa, Street Wedding.

– Criei uma experiência de casamento dentro e fora da igreja. Não é um ensaio: eu inventei uma cerimônia – conta.

Depois de mais de 20 anos fotografando eventos – foram cerca de mil casamentos e 300 festas de 15 anos, além de 10 mil mulheres – decidiu que era hora de mudar de rumo. Cinco anos atrás, ao completar 40, passou a ensinar tudo o que aprendeu através da internet, em cursos, a partir de uma metodologia própria. As aulas já aconteceram também em faculdades, no Japão (duas vezes) e na Europa. Online, ele tem um curso atualmente com 2 mil alunos simultaneamente.

– Percebi que as pessoas pagam muito pouco por foto, mas compram algo que altera a vida dela, que muda o futuro. Eu sempre entendi que a pessoa quer estar melhor que o espelho. Eu não mudo só a fotografia, mudo ela dali pra frente, porque eu entrego uma visão sobre ela, melhor do que aquela ela tem, e eu levei isso pro posicionamento de imagem, então atendo hoje empresários, artistas – explica.

E o que fazer para sair bem na foto? Everton dá uma dica que vai além da pose.

– Pessoas se conectam com pessoas. Quando você olha pra câmera, você tá se conectando com o presente e o futuro, então olhe pra câmera, olha no olho da pessoa, com os olhos iluminados. Basta ficar de frente pra uma luz, pra um janela, por exemplo, e olhar pra câmera – ensina.

O resultado fatalmente será uma pessoa mais feliz depois da foto pronta, mesmo que antes disso seja necessário alguma manipulação digital:

 

Depois dos 40, com meu cabelo grisalho, observei que branco e preto combinam muito bem comigo

– Os arquivos mostram demais, você manipula pra melhorar a imagem e não para alterar as características de uma pessoa. Eu não posso tirar 100% dos defeitos. O que faz o retrato ser bom não é a manipulação, é a aquilo que a pessoa tem dentro dela que ela mostra através do seu olhar.

Espiritualizado, Everton Rosa acredita que a crise do coronavírus fará com que o ser humano repense seu lugar no mundo.

– Acredito que o ser humano trabalha pra suprir suas necessidades, e muitas vezes não pensa naquilo que é mais importante: a saúde, sua vida familiar, sua vida espiritual. Um momento como este, quando somos obrigados a ficar em casa, convivendo com a família, convivendo com a gente mesmo e revendo quem nós somos, acredito que seja o momento de ajustarmos nossos principais valores. Não será nada fácil para ninguém, mas acredito que todos sairemos como seres humanos melhores – diz.

Como se vê, para a campanha de inverno 2020 da Reserva, Everton passou para o outro lado da câmera. Nenhum desconforto nessa função: ele já se conhece o suficiente.

– Descobri que tem um tipo de roupa que combina comigo por causa do cabelo grisalho, descobri que tem um tipo de luz que combina comigo, mas isso é fácil de resolver, difícil é resolver o interno – diz. – Sempre estive nos bastidores, como fotógrafo, diretor, sempre gostei de usar preto. Depois dos 40, com meu cabelo grisalho, observei que branco e preto combinam muito bem comigo, entendi também que não queria mais usar roupa apertada. Meu estilo hoje em dia é preto ou branco ou uma roupa que combina com o ambiente.

Simples assim.