Ser

O artista dos números

O engenheiro de Produção Nando Guedes flerta insistentemente com a arte, sobretudo a urbana

Por 2min
10 de junho de 2020

Luiz Fernando Guedes – ou LEFE, nas assinaturas que deixa nos muros – é formado em Engenharia de Produção, mas flerta insistentemente com o papel de artista.

– Desenho, grafito, sou apaixonado por artes e design, isso define muito o que eu sou hoje. Por outro lado, também tenho muito de exatas. Minha vida é mesclar os dois. Ao contrário do que muita gente pensa, esses dois pólos se mesclam lindamente, e isso tem resultados maravilhosos – define. – Uso a arte para alimentar minha alma e no resto da minha vida. Me faz ser mais criativo, então me ajuda muito no trabalho.

Seu trabalho, de fato, é uma mistura desses dois talentos: como coordenador do planejamento de compras da Reserva, é um dos responsáveis por definir o estoque da marca. O que demanda um bom conhecimento de números aliado a uma sensibilidade de artista. É lá que se define quantos itens de cada peça serão produzidos e como serão distribuídos entre as lojas – esta é a rotina diária de Nando. – Mas fico muito contente quando sou chamado no Estilo para dar pitaco.

Minha vida é mesclar Artes e Exatas. Ao contrário do que se pensa, esses dois pólos se mesclam lindamente

Nas folgas das planilhas de Excel, entra em cena LEFE, que tem o artista anônimo Banksy como ídolo máximo, e já carimbou muito muro por aí, especialmente na Gávea, onde mora. Mas até Vidigal e Rocinha, ali nas redondezas, têm obras suas. Ele já participou de exposições e pintou até na Alemanha – onde foi repreendido por um policial, mas safou-se da dura ao mostrar que tinha autorização –, e seu sonho é poder deixar sua marca no pedaço que resta do Muro de Berlim, a chamada West Side Gallery, “pela carga histórica bizarra que carrega”.

Nas artes, Nando também já usou muito a geometria como ferramenta. “É número em forma de arte”, diz. – Eu sou uma essência só, e não uma coisa porém outra – avalia. – Mas sempre me senti um pouco peixe fora d’água em todos os ambientes. Na época de faculdade, na Engenharia, com um piercieng no nariz, parecia que eu tinha vindo de outro planeta. Sempre quis fazer rolês mais alternativos que os meus amigos de Engenharia. Então fiz uma matéria chamada Cor e Comunicação Visual, no Design, e era zoado por isso na Engenharia. Mas quando chegava na aula de Cor, eu era o quadradão da Engenharia – diverte-se.

E Nando tem aproveitado a quarentena para se aventurar em outro tipo de arte, a digital.

– De positivo, a quarentena teve isso: voltei a produzir e estou lendo mais – conta Nando. – Mas a pandemia é algo muito triste, especialmente para quem perde pessoas amadas. E se pra quem tem uma condição financeira boa, já é difícil, imagina pra quem tem também a questão financeira. Que bom estão surgindo ações no sentido de ajudar os outros. É muito legal ver as pessoas se unindo por isso – diz.

A propósito: o Dia dos Namorados da Reserva tem um viés beneficente, com a arrecadação de doações para o Banco de Alimentos, parceiro do programa 1P5P.