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‘O futuro chegou’

André Klein trabalha há 15 anos com tecidos desfibrados e reciclados, mas lembra que não foi um 'caminho fácil'

Por 2min
11 de Maio de 2020

Quando André Klein começou a trabalhar na fábrica do pai, em 2000, a Dalila já tinha 8 anos de bons serviços prestados à moda nacional. De lá pra cá, ele formou-se em Administração, especializou-se em Processos Têxteis e passou por todas as áreas da empresa – e se casou e teve dois filhos, Luiza, de 7 anos, e Rafael, de 4. Sob sua batuta, a Dalila tem incorporado aos poucos novos processos, mais limpos e eficientes.

– Nas áreas de tecidos desfibrados e reciclados, abrimos o terreno em nível nacional, há 15 anos – lembra André, que fornece matéria-prima para a Reserva desde o início da marca, há quase 14 anos.

Não foi um caminho fácil. Como recorda André, “a ideia e seu apelo são maravilhosos, mas houve muitas barreiras”. Mesmo assim, ele preferiu buscar o caminho mais tortuoso – afinal, era o que acreditava.

– Poderíamos ter ficado na zona de conforto, trabalhar com fibra virgem. Fazer tecido com fibras irregulares é mais difícil – avalia. – Era um estorvo para os processos industriais, uma incomodação. Mas a gente sempre pensou na frente. E o futuro chegou, em relação a este assunto. Temos usufruído desse histórico – diz.

 

Poderíamos ter ficado na zona de conforto, trabalhar com fibra virgem. Fazer tecido com fibras irregulares é mais difícil

André explica que o trabalho – totalmente manual – para manejar os resíduos garante também mais empregabilidade. E o meio ambiente é também mais beneficiado, já que a tinturaria usa menos água, e também se economiza calor, o que demanda menos cortes de árvores. O uso de corantes é eliminado, e por consequência, menos química é utilizada para tratar a água que voltará ao meio ambiente.

– A escolha desse caminho se deu por propósito, está no DNA da fábrica. Quando a gente conheceu esse processo, ficou abismado, maravilhado, e isso passou a ser o que nos move – afirma. – O futuro é a menor produção possível de matérias-primas originais, novas – prevê André, que lembra ainda que a indústria têxtil ainda hoje é a segunda mais poluente.

E nesse caminho sustentável, André encontrou na Reserva uma parceira fundamental.

– Tenho admiração pela forma como a marca caminha e inova. As ideias são sempre compradas. Vamos fazer de cânhamo? Vamos. De vento? Vamos. Quando chegou a ideia da malha reciclada – porque o desfibrado já existe há 15 anos –, a Reserva comprou a ideia de fazer o reciclado com o próprio resíduo.

Assim, a Reserva usa o fio que já era da própria Reserva para construir seus reciclados, retirando as sobras das mesas de corte. Além disso, a marca trabalha com algodão orgânico, algodão terra (que já nasce colorido, diminuindo o impacto da tinturaria), tecido poliéster de pet e de cânhamo (que usa menos água que o algodão). Em todos esses produtos, com a expertise da Dalila.