Ser

O silêncio que precede o esporro

DJ desde os 13 anos, pela primeira vez Rapha Lima convoca o público a ficar em casa, mas lembra: 'Vai passar'

Por 2min
1 de abril de 2020

– Pode se apresentar?

– Sou o Raphael Lima, DJ, locutor, apresentador e, sei lá… Agora sou modelo da Reserva também, né?

Há duas semanas, Rapha estava colocando som na superfesta da promoter Carol Sampaio, no Jardim Botânico, sem imaginar os passos seguintes da crise provocada pelo coronavírus. O DJ, que tem por missão colocar a galera pra dançar junto – e quanto mais gente, melhor –, tem consciência de que o momento é de pistas vazias. Mas apenas um silêncio que precede o esporro das próximas festas.

– É uma coisa nova nas nossas vidas, que a gente só tinha visto em filme. A gente nunca pensa que vai passar por isso, as cenas das ruas vazias são muito difíceis de ver, é muito louco. É muito importante ficar em casa, mais do que tudo, do que dinheiro, economia. Sem vida não tem economia, né? Se você estiver morto não adianta se preocupar com seu bolso – avalia.

Rapha vinha numa batida forte de trabalho desde o carnaval, quando tocou em muitos eventos. “De repente, bum”, você está trancado”.

– Eu tive sorte de estar de quarentena numa casa em Itacoatiara, que é melhor que um apartamento. E aqui nessa região não tem casos registrados – diz.

Elétrico, o gente boa Rapha está estranhando a vida em quarentena. Desde os 13 anos de idade ele ganha seu dinheirinho tocando em festas e fazendo apresentações, “de casamento, festa de 15 anos ou funeral, é só chamar”. Nas últimas três edições do Rock in Rio, apresentou os shows para a Globosat, também fazendo entrevistas e análises.

 

É muito importante ficar em casa, mais do que tudo, do que dinheiro, economia. Sem vida não tem economia, né?

Também fez o papel de locutor do Telecine, anunciando a programação do canal, ao longo de cinco anos. E, muito de leve, aventurou-se em dublagens, mas não curtiu porque “é uma panela”.

Seu negócio é mesmo tocar, e assim conhece o Brasil inteiro. Em geral, festas em que ninguém fica parado. Mas nem sempre é assim:

– Tem muitos estados que o cara só está lá pra beber, ficar doido e beijar na boca, não estão nem aí pro que o DJ vai tocar – diz, divertindo-se. E o que rola numa performance de Rapha Lima? – Eu nunca deixo de tocar black music, sempre tento enfiar no meu set, mas não tem regra. Quando eu vou tocar numa festa de rock tem músicas que não podem faltar, como The Smiths e The Cure – explica.

Em relação à moda, o DJ/modelo conta que gosta de “brincar com a roupa”, só não peça para que ele use camisa de botão.

– Gosto de usar roupa divertida, gosto de usar tudo preto também, mas sempre vai ter alguma coisa descontraída, todo de preto mas com um tênis rosa, mais modernoso – diz. – Reflito minha personalidade, e acho que devia ser assim pra todo mundo, acho que a pessoas tinham que pensar mais na moda, é importante pra tudo, até pra comunicação.

E não é? Em breve, passada a crise, tem muito mais novidade por aí. E é só aguardar:

– Isso vai passar. Muita coisa pior já passou no mundo, coisas que eram mais difíceis – avisa, sempre com uma mensagem otimista. – E vamo que vamo!

Quer conhecer os outros personagens da coleção de inverno 2020 da Reserva? Aqui estão Paulo Avelino, Erick Krominski, Ismael dos Anjos, Everton Rosa e Leonardo Coloral.