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Os novos negócios do Pedrão

Designer de formação, Pedro Cardoso é responsável pela Reserva Go, marca de calçados e acessórios da Reserva

Por 2min
12 de Maio de 2020

Designer por formação, Pedro Cardoso atuou nas vertentes de vídeo, design gráfico e webdesign ainda garoto. Mas seu negócio era empreender. Montou uma marca – Ausländer – com um amigo, Ricardo Bräutigam, o Cadinho. Algumas lojas depois, vendeu sua parte e ingressou na Publicidade. Foi parar na DPZ, uma das agências mais conceituadas do mercado.

– Desenvolvi uma visão múltipla nas coisas que faço. Se puder me envolvo em tudo, mas a formação de designer sempre puxa pra estética do produto e da comunicação dele, uma obsessão em tornar tudo atraente, fácil e prazeroso pro cliente… e fazer essa conta fechar – avalia Pedro, que no tempo de agência desenvolveu outra marca sua, a Balasarae, como atividade paralela. Com foco em alfaiataria, o negócio chamou a atenção de Rony Meisler e Nandão Sigal, sócios da Reserva, que Pedrão conhecia da época de Ausländer.

– Uma vez encontrei o Rony e ele convidou: ‘vem tocar isso aqui, a Reserva tá crescendo, mas esse seu produto é complementar, vem fazer com a gente’. Fiquei pensando nisso. Aí um dia na agência, a turma lá ficava lembrando como eram “os anos dourados” (que eu não vivi) da publicidade, etc… Percebi que já não estavam muito com a cabeça de futuro, de renovar aquilo ali, sucessão, dividir pra multiplicar, nada disso. Enquanto isso tinha dois camaradas da minha idade, que estavam voando, revolucionando a moda e me chamando pra tocar um negócio com eles… Vou lá!

Essa cena tem 10 anos. Na sequência, Pedrão ligou para Rony e perguntou se o convite estava de pé. Estava. Pediu demissão da agência e a Balasarae tornou-se uma espécie de embrião para a Oficina.

 

 

Pedrão assumiu uma função de intraempreendedor e hoje toca a parte de licenciamentos e novos negócios. Seu último passo mais visível é a loja da Reserva Go, aberta no Rio Sul no fim do ano passado, com foco em calçados e acessórios.

– De 3 anos pra cá, a gente mexeu por completo na categoria de calçados, criou hits como o Neo, Astral, Hero, Canvas. Modernizamos o produto e o resultado veio em todos os canais. A categoria de calçados hoje é a segunda mais vendida da Reserva, atrás apenas de camisetas. São cerca de R$ 100 milhões por ano vendidos entre lojas Reserva, multimarcas, sapatarias, revendas, etc.  – diz.

– Nas lojas da Reserva, a gente tem espaço para uma média de 15 calçados. A necessidade de expor novos produtos nos levou a criar uma loja dedicada, por isso fizemos a Go, onde conseguimos expor 100, 120 produtos. A gente solucionou essa necessidade de amplitude de mix, de novos lançamentos, coisas bacanas.

Antes disso, foi ele o responsável pela UseHuck, marca de camisetas em parceria com o apresentador Luciano Huck, que originou o Faça VC, sistema de impressão de camisetas on demand da Reserva. Depois de dez anos, uma relação de amor que, para Pedrão, só cresce.

– Outro dia, a gente tinha que tomar uma decisão difícil. Alguém falou: tem o jeito que a maioria das empresas faria e tem o jeito Reserva, fiel ao propósito de cuidar, emocionar e surpreender. No final isso custava mais caro, outra empresa talvez tomasse a decisão de forma estritamente financeira. Mas sabemos que precisamos estar fiéis ao nosso propósito e preservar esta capacidade de nos antecipar ou reagir rápido às mudanças do mundo – avalia.

É tempo de calibrar nossas expectativas, aceitar que o mundo deu um ‘pause’ em várias atividades que tínhamos como normais

Fora do escritório, Pedro dá expediente dentro d’água, praticando surfe, seu esporte há 27 anos.

– Há tempos não vinha conseguindo fazer surf trip de verdade, daquelas de ficar 10 horas dentro d’água com onda boa… Em fevereiro, antes do mundo virar de cabeça pra baixo, estive na Nicarágua. Um lugar com vulcões, ondas perfeitas e água quente. Deu pra colocar o surfe em dia – diz.

Outro esporte – sair para tomar chope com os amigos – é uma das coisas de que tem sentido falta neste período de isolamento social.

– É tempo de recalibrar nossas expectativas, aceitar que o mundo deu um ‘pause’ em várias atividades e nos sensibilizar com as famílias que estão perdendo entes queridos. Paralelamente, a pandemia nos força a evoluir como civilização. Entender que estamos destruindo o planeta e que precisamos atuar no presente sobre isto. A narrativa de alguns líderes, baseada em negação da realidade e da ciência, podia até funcionar quando o assunto é meio ambiente: quem nega que há aquecimento global não será responsabilizado quando a realidade se apresentar, daqui a 20, 30 anos. Como é longe, parece incerto. Nesta pandemia, que mostra seus efeitos em duas semanas, a negação da realidade só produz mais realidade, e bem rápido.

Szucknit, o novo membro da família Go

Spoiler: em breve voltamos a falar com o Pedrão. Esta semana a Reserva Go lança o Szucknit, tênis considerado pela marca seu item mais versátil.  Com visual casual e elementos esportivos, é perfeito pra vários estilos. Aguarde.